Criar um Site Grátis Fantástico

A Historicidade de Jó e o Livro que leva seu nome.

A Historicidade de Jó e o Livro que leva seu nome.

O livro de Jó reflete episódios da época patriarcal, de quando a lei mosaica ainda não havia sido promulgada. Os intérpretes antigos e alguns modernos continuam favorecendo a data mais antiga do livro. Todavia, quase todos os intérpretes modernos, embora acreditem que houve, realmente, um homem de nome Jó, que é a figura central do livro desse nome, e que ele deve ter vivido na época dos patriarcas hebreus, acreditam que a narrativa primeiramente circulou sob a forma de tradições orais, até que foi reduzida à forma escrita no século V ou IV A.C.

 

Alguns supõem que Jó nunca  tenha realmente existido, e que o livro de seu nome é apenas uma novela romântico-filosófica, um poema não um livro verdadeiramente histórico. Afirmam isso devido ao fato significativo de que não há qualquer registro genealógico desse homem; e alguns reputam isso como um sinal inequívoco da natureza não-histórica de Jó e de toda a sua história.

Todavia, esse argumento se vê debilitado pelo fato de que um profeta tão importante como foi Elias (cuja historicidade não é posta em dúvida pelos eruditos) também não tem a sua árvore genealógica registrada na Bíblia, tanto ele quanto Melquisedeque, Paulo. Portanto, a questão genealógica não pode ser absoluta, ainda quando a ausência de tal genealogia possa parecer-nos indício de não-historicidade.

Jó aparece como habitante da terra de Uz (Jó 1:1), o que, segundo alguns estudiosos, ficava situada em algum ponto entre Damasco da Síria, ao norte, e Edom, ao sul, ou seja, nas estepes a leste da Síria-Palestina. A ausência de informes geográficos específicos, ou mesmo de alusões geográficas, que poderiam ajudar-nos a identificar o lugar onde esse homem residia, também é considerada, por alguns estudiosos, como prova da não-historicidade do personagem e do livro que leva seu nome. Jó é chamado de «...o maior de todos os do Oriente» (Jó 1:3); mas isso é uma descrição tão vaga que, para todos os efeitos práticos, não tem utilidade.

Fora do próprio livro, Jó é mencionado na Bíblia em Eze. 14:14,20 e Tia. 5:11, onde é comentada a sua notável resistência. A narrativa gira em torno dos sofrimentos de Jó, o que levanta a indagação: «Como pode sofrer assim um homem justo?»

Se Jó foi uma figura humana literal, conforme cremos, então ele pode ter sido um patriarca que vivia perto do deserto da Arábia, nos tempos dos patriarcas do Antigo Testamento (não há qualquer menção à lei mosaica, nesse livro de Jó). É possível que Jó fosse uma personagem histórica, e que um autor posterior, conhecendo a história mediante a tradição oral, a tenha reduzido à forma escrita. Mas, por essa altura, a genealogia e o arcabouço histórico de Jó se tinham perdido, pelo que esses detalhes não foram registrados, ainda que importantes para a mentalidade dos hebreus.

Alguns argumentam que o próprio livro pode datar de tão tarde quanto o século VII A.C., ou mesmo depois do exílio babilónico, ou seja, pertenceria ao século V ou mesmo ao século IV A.C. Todavia, é muito difícil que um autor judeu tivesse esquecido a lei de Moisés sendo portanto fraca tal argumentação.

Em vista do ambiente patriarcal que transparece no livro, a tradição judaica afirma que Moisés foi o autor do livro de Jó (Baba Bathra 14v ss), embora isso, segundo outros, esteja fora da realidade. O próprio livro em si não nos fornece nenhuma indicação de que Jó tenha escrito qualquer porção da obra. Isso posto, temos um autor desconhecido que viveu em um período desconhecido. “A menção aos bandos de caldeus (Jó 1:17), e o uso da arcaica palavra qesitah (42:11, em nossa versão portuguesa, “dinheiro") apontam, meramente, para a antiguidade da história, e não para a sua presente forma escrita.

Os eruditos modernos têm variado na data do livro, desde os dias de Salomão até cerca de 250 A.C., embora as datas mais populares variem entre 600 e 400 A.C., apesar do que há uma tendência crescente em favor de datas posteriores. Os argumentos com base no assunto, na linguagem e na teologia, provavelmente, favorecem uma data até posterior à de Salomão; mas, visto que o livro é sui generis dentro da literatura dos hebreus, e que a linguagem empregada é tão distintiva (alguns eruditos chegam a pensar que se trata de uma tradução de um original aramaico, enquanto que outros consideram que seu autor teria vivido fora da Palestina), qualquer dogmatismo deriva-se de fatores subjetivos e preconcebidos".

 

O fato do livro de Jó não citar reis, dinastias, povos, não é argumento que possa ser usado como alegação de que o livro é simbólico, ou alegórico ou que foi escrito na época do exilio da Babilônia, seja lá quem advogue essa objeção, ignora ainda que apesar da data da redação do livro ser bem posterior aos acontecimentos que ele relata, ainda assim o pano de fundo histórico é bem anterior a época dos patriarcas. Isso pode ser notado porque Jó (42.16) chegou perto dos 200 anos de idade, o que está de acordo com o período patriarcal (Abraão viveu 175 anos; Gn 25.7).

Que o periodo era o patriarcal sabemos também pelo fato de que os caldeus que mataram os servos de Jó (1.17) provavelmente eram nômades e ainda não haviam se estabelecido em cidades e no fato de que a riqueza de Jó era medida pelos seus rebanhos em vez de pelo ouro e prata (1.3; 42.12).

Há também as funções sacerdotais de Jó dentro de sua família (1.4-5); e o silêncio básico sobre assuntos como a aliança de Abraão, Israel, o êxodo e a lei de Moisés. Embora conhecesse a história de Adão (31.33) e o dilúvio dos dias de Noé (12.15). Esses detalhes históricos/culturais evidentemente portanto, situam os acontecimentos cronologicamente numa provável época após Babel (Gn 11.1-9), mas anterior a Abraão ou contemporânea dele (Gn 11.27ss.). Daí que o livro não cita reis, reinados e detalhes de eras posteriores.

 

Att Elisson Freire.