Dois "Algos" em um "Alguém"!

As duas naturezas de Jesus Cristo

as duas naturezas de cristo

Não dividindo a pessoa
Nem comfundindo a Natureza




Nesse artigo, mostraremos evidências teológicas e históricas (crença dos primeiros cristãos) para explicar com mais clareza o mistério abordado: as duas naturezas de Cristo. 

O entendimento das duas naturezas de Jesus Cristo afirma que na pessoa de Cristo Jesus existiam duas naturezas distintas, mas unidas em seu corpo. E assim por diante, são além das duas naturezas, duas vontades, uma mente racional, um corpo e um espírito que estão presentes em Jesus, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem.

1 - Natureza humana.

A natureza humana de Cristo, é a menos complicada de se defender. É unanimidade em todas as linhas Cristãs, que Cristo era humano. Na História sempre houveram grupos que foram contrários a encarnação de Cristo, os docetistas, e os gnósticos, são um exemplo vivo disso. Cristo era completamente humano, e completamente divino, mas aqui trataremos de sua natureza humana. A bíblia nos mostra claramente que Cristo tinha uma natureza humana:

1 - Ele foi concebido por uma mulher (Mateus 1,18).
2 - Ele teve sede (João 19,28).
3 - Jesus Cristo é homem (I Timóteo 2,5).

Tudo isso nos mostra que Jesus Cristo era de fato homem, ele veio SIM em carne.

A Encarnação é o mistério e dogma do Verbo feito carne (João 1,1-3). Neste sentido técnico da palavra encarnação foi adotada, durante o século XIII, a partir do incarnatio Latina . O mistério da Encarnação é expressa na Bíblia por outros termos: epilepsis, o ato de tomar uma natureza (Heb. 2: 16); epiphaneia, aparência (II Tim 1,10). Phanerosis Sarki, manifestação na carne (I Tim 3, 16).; somatos katartismos, a adaptação a um corpo, o que alguns chamam Latina Padres incorporatio (Hb 10, 5); kenosis, o ato de derramar-se (Fp 2, 7). Este artigo irá tentar o fato, a natureza e o efeito da Encarnação.

A encarnação de Cristo era necessária, pois ele é o meio que conecta o homem até Deus. Cristo afirma que é o único caminho até Deus (João 14,6), e Paulo afirma que Cristo HOMEM, é o mediador entre nós e Deus (I Timóteo 2,5). Através do Sangue de Cristo nos achegamos a Deus, e somos limpos, e consequentemente reconciliados com Deus. Não seria possível essa reconciliação com Deus, se o mesmo não tivesse se feito carne, e não tivesse derramado o seu sangue na cruz do calvário. Por isso, essa natureza de Cristo é tão essencial para nós Cristãos, pois é através dela que temos a certeza da remissão dos nossos pecados. Sem a natureza humana de Cristo, não há derramamento de sangue, e consequentemente não há justificação, e sem justificação não existe salvação, por isso o Cristianismo não abre mão desta natureza, natureza esta que não foi corrompida pelo pecado.

Testemunho dos Pais da Igreja:

Inácio de Antioquia:
Ele fala do sangue de Cristo como "sangue de Deus" Ef 1:01
Ele chama Jesus de "Deus encarnado" Ef 7:02

Diogenes:
Diogneto 07:04 "Ele enviou-o como Deus, ele enviou como homem para os homens."

Melito de Sardes:
Em Divindade de Cristo (d. ca. 190) Na Páscoa (Peri Pascha).
1. Tradução Lucien Deiss, ed, Springtime da Liturgia (Collegeville, MN: litúrgico Press, 1979)., 97-110
Nesta carta ele mostra uma resistência anti-gnosticismo, que insistia que Cristo não veio em Carne.

Com esses testemunhos podemos concluir a parte humana de Cristo. Sua natureza humana é algo necessário para a fé Cristã, por isso sempre esteve presente na Igreja, apesar de muitas seitas tentarem tirar esse conceito.


2 - Natureza Divina.
A natureza Divina de Cristo, é o conceito de que Cristo era, e é Deus. Essa é a mais complicada de defender, pois: Como Cristo pode ser humano, e Deus ao mesmo tempo? Isso é o que denominamos como mistério, é algo que vai além de nossa compreensão, mas que é revelado pelas Sagradas Escrituras. Iremos começar, mostrando provas dentro das escrituras de que Cristo era Deus encarnado:

1 - Cristo é o criador (Colossenses 1,16-17).
2 - Cristo é o Alfa e o Ômega ( Apocalípse 1,8).
3 - Cristo é Deus ( João 1,1-3).

Todos estes textos nos mostram com toda a certeza a natureza divina de Cristo.

Cristo é o nosso Deus, Ele juntamente com o Pai, e o espírito Santo compartilham de uma mesma natureza, ambos constituem UM só Deus. Um texto interessante, que nos mostra que Cristo também tinha essa natureza divina junto com a corpórea, é o de Colossenses:

"Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade;" (Colossenses 2 : 9)

Como bem nos explica este texto, em Cristo havitava CORPORALMENTE (Ou seja em SEU CORPO) toda a plenitude DE DIVINDADE. Esse texto talvez seja o mais claro em relação a natureza Divina de Cristo. 

Assim como a natureza humana de Cristo é essencial na salvação, a natureza Divina também é. Sabemos que Cristo se coloca como Caminho até Deus, ninguém vai ao Pai senão por ele (João 14,6). Agora eu gostaria de fazer o nosso leitor refletir nesta pergunta:
O Finito pode nos levar ao infinito?
Cristo teria que ser infinito para ser o caminho até Deus, pois Deus é infinito. Se Cristo fosse somente um homem, ele não poderia nos conduzir até Deus por meio dele, pois há uma distância infinita entre o ser humano e Deus. Somente Cristo sendo Deus (infinito) isso seria possível. 

Testemunho dos Pais da Igreja:

Inácio:
Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja em Éfeso, na Ásia. . . predestinado desde a eternidade para a glória que é duradoura e imutável, unida e escolhidos através de verdadeiro sofrimento pela vontade do Pai em Jesus Cristo, nosso Deus (Carta aos Efésios 1 [AD 110]).

Porque o nosso Deus, Jesus Cristo, foi concebido por Maria de acordo com o plano de Deus: da descendência de David, é verdade, mas também do Espírito Santo (ibid., 18:02).

À Igreja amada e iluminada após o amor de Jesus Cristo, nosso Deus, a vontade daquele que quis tudo que é (Carta aos Romanos 1 [AD 110]).

Taciano:
Nós não estamos fazendo papel de bobo, você gregos, nem falamos bobagem, quando nos reportamos que Deus nasceu na forma de um homem (Discurso aos gregos 21 [170 dC]).

Melito:
Não é de forma necessária para lidar com pessoas de inteligência para apresentar as ações de Cristo, depois de seu batismo como prova de que sua alma e seu corpo, sua natureza humana, eram como a nossa, real e não fantasmagórica. As atividades de Cristo após seu batismo, e, especialmente, seus milagres, deu a indicação e garantia para o mundo da divindade escondida em sua carne. Sendo Deus e o homem também perfeito, ele deu indicações positivas de suas duas naturezas: de sua divindade pelos milagres durante os três anos que se seguiram após o seu batismo, de sua humanidade, nos trinta anos que vieram antes de seu batismo, durante o qual, em razão da sua condição segundo a carne, escondeu os sinais de sua divindade, embora ele era o verdadeiro Deus existe antes dos séculos (Fragmento de Anastácio do Sinai de o Guia 13 [AD 177]).

Irineu:
Para a Igreja, apesar de dispersos pelo mundo inteiro até os confins da terra, recebeu dos apóstolos e dos seus discípulos a fé em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, o mar e tudo o que neles há , e em um Jesus Cristo, o Filho de Deus, que se fez carne para a nossa salvação, e no Espírito Santo, que anunciou por meio dos profetas as dispensações e vindas, e o nascimento de uma Virgem, e da paixão e da ressurreição dos mortos, e a ascensão física ao céu do amado Cristo Jesus, nosso Senhor, e sua vinda do céu na glória do Pai para restabelecer todas as coisas, e levantando novamente de toda a carne de toda a humanidade, a fim de que a Jesus Cristo, nosso Senhor e Deus e Salvador e Rei, de acordo com a aprovação do Pai invisível, todo joelho se dobre nos céus, na terra e debaixo da terra (contra as Heresias 01:10:01 [AD 189]).

Clemente de Alexandria:
A Palavra, então, o Cristo, é a causa tanto da nosso antigoinício - pois ele estava em Deus - e do nosso bem-estar. E agora essa mesma Palavra apareceu como homem. Só Ele é Deus e homem, é a fonte de todas as nossas coisas boas (Exortação aos gregos 01:07:01 [AD 190]).

Desprezados como a aparência, mas na realidade adorado, [Jesus é ") o expiador, o Salvador, o Verbo divino, ele que é evidentemente verdadeiro Deus, que é colocado no mesmo nível que o Senhor do universo, porque ele era seu filho (ibid., 10:110:1).

Temos vários outros Pais que falam o mesmo, mas para não nos alongarmos, terminaremos somente com esses.

Constatamos, que temos provas suficientes para crer que Cristo é, verdadeiro homem, e verdadeiro Deus. Essa Verdade é uma das tantas outras que desafiam o nosso intelecto, e põe em prova a nossa fé. Pelo testemunho deste conceito essencial do meio Cristão, que os apóstolos, os pais da Igreja, e muito outros morreram, e morrem até hoje. Espero que este pequeno artigo tenha ajudado a todos os nossos leitores a entender este mistério.

"E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória." (I Timóteo 3 : 16).


Autor: Jonas Justiniano

 

referências dos escritos patristicos:

http://www.staycatholic.com/ecf_divinity_of_christ.htm

http://ec.aciprensa.com/wiki/Cristolog%C3%ADa#.Udr1H_mgUel

http://ec.aciprensa.com/wiki/Conocimiento_de_Jesucristo#.Udr1OfmgUel
http://ec.aciprensa.com/wiki/Encarnaci%C3%B3n_de_Jesucristo#.Udr1R_mgUel