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Falácias do Catolicismo - Ad Antiquitatem

Falácias do Catolicismo - Ad Antiquitatem

19-11-2013falácias católicas

 

Por Tiago Dutra

 

Paz e graça a todos os amados do Senhor Jesus.

Estou de volta para deixar alguns seguidores da ICR com a pulga atrás da orelha, dissertando sobre um dos argumentos mais usados pelos católicos: o AD ANTIQUITATEM, ou apelo à antiguidade. De acordo com o mesmo, o fato de a Igreja Católica Romana existir a quase dois milênios(eu digo “quase” pelo fato de ela não ter iniciado em Cristo desde o início nem em Pedro, isso pode ser constatado não somente pelas Escrituras, como também nos escritos de homens como Inácio de Antioquia, Eusébio de Cesaréia e Agostinho de Hipona) quer dizer que ela merece credibilidade como única organização religiosa fidedigna.

A leitura será longa - tão longa que dividi o estudo em 2 partes -, mas garanto que valerá a pena.

Existe um ditado popular que diz que “panela velha é que faz comida boa”, e pelo visto os católicos se valem bastante dessa figura de linguagem. Mas não vamos nos ater a isso, não é mesmo? Além do fato de mesmo que panela velha seja boa pra fazer comida, isso não significa que toda comida nessa panela seja mesmo boa. Afinal, o que está sendo dissertado nesse estudo é a seguinte pergunta:

ANTIGUIDADE É SINÔNIMO DE CREDIBILIDADE?

É o que veremos a seguir.

Como todos sabemos, e precursor do Cristianismo foi a primeira e mais antiga religião monoteísta de todas, o Judaísmo. O Judaísmo surgiu em Israel há cerca de 4 mil anos, quando Deus fez uma aliança com o patriarca Abraão - Gn 12:1,2. Tanto o cristianismo como o islamismo - até certo ponto - derivam do judaísmo. Para que o AD ANTIQUITATEM seja validado, é necessário que a ICR não somente esteja em sintonia com o monoteísmo judaico que originou o cristianismo, como conservado as doutrinas que Cristo deixou ao longo dos séculos, sem tirar nem por coisa alguma.

O Senhor Jesus no Evangelho de João afirma com exatidão: “A salvação vem dos judeus.” - João 4:22. Mas vale ressaltar que Jesus não apontava para a religião judaica, visto que apesar de ter cumprido a Lei, Jesus rompeu com judaísmo; ele apontava para o povo de onde o Messias, ele mesmo, surgiu, que foram os judeus. Logo, para que a ICR reclame para si o título de “verdadeira por ser mais antiga”, ela deve se adequar não ao sistema doutrinário judaico, uma vez que a Lei é para os Judeus, e nós estamos debaixo da graça - Gl Cap 4, Rm 11:5,6, Gl 2:16-21 -, refiro-me ao modelo de monoteísmo judaico, que é o mesmo que os cristãos seguem. Vamos lá?

O princípio básico do judaísmo é a unicidade absoluta de YHWH como Deus e criador, onipotente, onisciente, onipresente, que influencia todo o universo, mas que não pode ser limitado de forma alguma. A afirmação da crença no monoteísmo manifesta-se na profissão de fé judaica conhecida como Shemá. Assim qualquer tentativa de politeísmo é fortemente rechaçada pelo judaísmo, assim como é proibido seguir ou oferecer prece a outro que não seja YHWH.

Nisso judeus e cristãos partilham da mesma crença, uma vez que o Deus YHWH ELOHIM do Antigo Testamento é o mesmo Deus Trino, Uno e Todo-Poderoso revelado no Novo Testamento - Dt 6:4, Mt 3:13-17, 2 Co 13:13.

Mas, o “X” da questão é: A crença católica romana está de acordo com isso? É o que descobriremos. Vejamos o que a ICR diz sobre:

O senhorio único e absoluto de Deus

O catecismo católico afirma que:

"A vida humana unifica-se na (((adoração do Único))). O mandamento (((de adorar [[[o único Senhor]]]))) simplifica o homem e salva-o duma dispersão ilimitada. A idolatria é uma perversão do sentido religioso inato no homem.((( Idólatra é aquele que refere a sua indestrutível noção de Deus seja ao que for, [[[que não a Deus]]])))."(Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 2114[ênfase acrecentada])

A primeira vista, aparentemente o ensino católico romano está em sintonia com a raiz judaica, mas...
Os seguidores do catolicismo falham miseravelmente exatamente onde o catecismo deles censura, pois existe um título que os católicos dão a uma certa virgem, de nome Maria, que não condiz com a cartilha católica, o de “Nossa Senhora”:


Segundo os católicos, Maria também é reconhecida por diversas aparições a indivíduos na terra, depois de sua morte. Algumas das mais conhecidas aparições que a Igreja Católica sanciona são:


Aparição Data Testemunha Local
Nossa Senhora de Guadalupe 12/12 de 1531  João Diego, um índio

Morro Tepeyac,

perto da Cidade do México

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa  três vezes em 1830   Catarina Labouré Paris, França.
Nossa Senhora de Lourdes  1858 Bernadette Soubirous

próximo a Lourdes,

no sul da França.

Nossa Senhora de Fátima  três vezes em 1917 a três crianças  Fátima, Portugal

Estes locais, por todo o mundo, agora são santuários onde milhões de católicos fazem peregrinação para receber bênçãos especiais de Maria.

Se Maria é chamada pelos católicos de “Nossa Senhora”, não há a menor chance de isso estar em acordo com o ensino monoteísta judaico, portanto, vamos às provas:
Assim diz Devarim - Deuteronômio 6:4 em hebraico:

“Shema Yisrael, YHWH Elohim, YHWH Echad”

Traduzido:

“Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus (((é o único Senhor))).”

Deuteronômio 6:4

E Deus confirma em Yeshayahú - Isaías

“(((Eu sou o Senhor, [[[e não há outro]]]))); fora de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças; Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, (((que fora de mim não há outro; [[[eu sou o Senhor, e não há outro]]]))).” Isaías 45:5-6

Isso coloca em contradição até mesmo o que diz parte do catecismo católico que declara:

“A vida humana unifica-se na (((adoração do Único))). O mandamento (((de adorar [[[o único Senhor]]]))) simplifica o homem e salva-o duma dispersão ilimitada.”

E como vimos, Deus é “O Único Senhor”, e fora dEle “não há outro.”, portanto a violação da Escritura e a desarmonia com a raiz judaica é notória, não vê quem não quer!

Os católicos ainda apelam para a falácia nomotética, na qual se troca um termo por um sinônimo, para esconder sua verdadeira etimologia, quando trocam o termo “adorar” por “venerar”, sendo que ambos tem o mesmo significado: prestar culto religioso, a um ser ou um objeto, adorar. Venerar e adorar só não tem significados sinônimos nos dicionários Católicos.

 - Sobre a intercessão dos mortos - “santos”:

O mesmo catecismo afirma:

“A intercessão dos santos. Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio": (((Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida))).”(Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 956)

Os apologistas romanos usam de silogismos para defender a questão da intercessão dos santos mortos. Outra desonestidade católica é propositalmente omitir a diferença entre MORTO e MORTO. Como assim? Existem dois tipos de morte: A morte física - estado que se encontram os crentes fiéis de todas as épocas -, e a morte ESPIRITUAL, que é a destinada aos filhos da desobediência, no Sheol - grego Hades - e posteriormente na Geena, o lago de fogo e enxofre - Lc 16:19-23 / Ap 20:11-15.

Todos sabemos que quem partiu desse mundo em obediência a Deus e Sua Palavra tem o Reino do Céu por herança - Mt 25:33-40 -, mas entre isso e dizer que quem já partiu desse mundo pode fazer algo pelos vivos é um ato de blasfêmia, pois o profeta Yeshayahú - Isaías - em seu livro demonstra que Deus condena veementemente o consultar os mortos em favor dos vivos:

“Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo a seu Deus? (((A favor dos vivos [[[consultar-se-á aos mortos]]])))?” Isaías 8:19

E quando estudamos as escrituras Hebraicas, vemos que em todas as passagens que Deus se manifesta, ele se revela DIRETAMENTE aos homens de Deus sem nenhum judeu virtuoso morto como intermediário entre eles, exemplos disso podem ser achados em B’reshit - Gênesis 6:13-22, 12:1,2, 33:22-32 / Shemot - Êxodo cap 3 / Vaykra - Levítico cap 14 / Bamidbar - Números 14:11-16 / D’varim - Deuteronômio 3:2 / Yahoshua - Josué 1:1-7 / Yeshayahú - Isaías 6:1-8.

Na verdade Deus se relaciona diretamente com o povo hebreu em TODO O ANTIGO TESTAMENTO, e os únicos intermediários entre eles e Deus eram os patriarcas, os profetas e os sacerdotes da Tribo de Levi, que prestavam auxílio no templo, detalhe: TODOS (((VIVOS))) FISICAMENTE! Não há um relato sequer de um profeta ou patriarca que já partiu entrando em contato com alguém vivo, salvo no Episódio de 1 Sh’muel - 1 Samuel cap 28, onde Saul se consulta com uma feiticeira em En-Dor, sendo que o “Samuel” que aparece ali não é o PROFETA, pois se Samuel passou toda a sua vida em fidelidade a Deus, não faz o menor sentido ele aparecer devido a um chamado de uma invocadora de demônios.

Vejam que eu ainda não estou lançando mão das doutrinas cristãs aqui, estou pondo o catolicismo em paralelo com o judaísmo ortodoxo, para saber se suas doutrinas se batem, mas até agora, não houve nenhuma concordância, pelo contrário, uma gritante contradição tanto do catolicismo em relação ao judaísmo quanto do próprio catecismo católico.

 - Sobre a questão das imagens e idolatria

O catecismo católico declara:

“A idolatria não diz respeito apenas aos falsos cultos do paganismo. Continua a ser uma tentação constante para a fé. Ela consiste em divinizar o que não é Deus. Há idolatria desde o momento (((em que o homem honra e reverencia uma criatura [[[em lugar de Deus]]], quer se trate de deuses ou de demônios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro, etc., «Vós não podereis servir a Deus e ao dinheiro», diz Jesus (Mt 6, 24). Muitos mártires foram mortos por não adorarem «a Besta», recusando-se mesmo a simularem-lhe o culto. A idolatria (((recusa o [[[senhorio único de Deus]]]; é, pois, incompatível com a comunhão divina))).

Agora vejamos o que disse o papa Adriano I:

“Na trilha da doutrina divinamente inspirada dos nossos santos Padres, e da Tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda a certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como a representação da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, quanto a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos."
(Papa Adriano I, Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1161)

Aí alguém pensa: “Ah, mas estamos falando de cristianismo, a época e o contexto são diferentes!”

Não necessariamente. O regime doutrinário de ambas as crenças é diferente, MAS O DEUS É O MESMO, e Ele mesmo advertiu:

“Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.” Êxodo 20:4-5

Quando citamos essa passagem para os católicos, eles contra-argumentam fracamente que Deus mandou fazer imagens, e que elas eram usadas no Tabernáculo, correm pra serpente de bronze (Nm 21:7-9), e a arca da aliança (Êx 37:1-9), mas esquecem que nenhum desses objetos era cultuado, nem se fazia petições a ele, salvo a serpente de bronze que se tornou objeto de adoração de Israel e o rei Ezequias a destruiu, mostrando claramente que Deus não tolera imagens sendo usadas na tentativa de substituí-lo (2 Rs 18:1-4).

Mas claro, não estamos falando de deuses, todavia, sempre que alguém busca o favor de outro ser, seja no céu ou na terra, sejam homens vivos ou mortos, ou qualquer coisa da criação no tocante a dirigir rogos e orações QUE NÃO SEJA DEUS, está cometendo o pecado da IDOLATRIA, e os católicos nem podem apresentar objeção, pois o próprio catecismo deles afirma isso.

Sobre a recusa dos judeus a venerar imagens, Flávio Josefo, historiador judeu, responde a Apião, que acusa os Judeus de não erigirem estátuas aos imperadores nem de efectuar o culto a eles devido – tema sensível à soberania romana: declara que Moisés proibira a idolatria, não para que o seu povo se furtasse ao culto imperial de Roma, mas por que esta era “inútil a Deus e aos homens” (C. Ap., II, VI, 75); afirma também que aquele não proibira que se celebrasse e honrasse, “através de outras homenagens, em nome de Deus, os homens de bem”. Do que procede que se concedia aos imperadores “essa honra suprema que recusamos a todos os outros homens” (C. Ap., II, VI, 75).

Assim, Josefo procura esclarecer os detratores do Judaísmo, dizendo que apesar de os Judeus não adorarem o imperador como coisa divina, o culto imperial era salvaguardado pela adoração a Deus, na conformidade das leis mosaicas (Escrituras), em favor do imperador e do seu poder. Nada mais compatível com a visão joséfica da História, moldada por Deus, que utilizaria os poderes terrenos para dar corpo aos seus desígnios. Logo, honrar as autoridade não é errado, é dever cívico - Rm 13:1-7 -

Alguém pode até falar: “Ah Thiago, mas aí está se falando de homens, e homens ímpios, que eram cultuados como se fossem deuses, não dos santos católicos.”

Certo, mas a idolatria é a mesma, só mudou o contexto. Foi isso que Flávio Josefo entendeu, e creio que deva ter se lembrado do que Yeshayahú - Isaías declarou da parte de YHWH a Israel:

“Eu, eu sou YHWH e este é o meu nome; minha glória a outrem não darei, nem o louvor que me é devido às imagens de escultura.” Yeshayahú - Isaías 42:8

Ora, se segundo o próprio catecismo católico, “...Há idolatria desde o momento (((em que o homem honra e reverencia uma criatura [[[em lugar de Deus]]], quer se trate de deuses ou de demônios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro, etc.”, o que é que eles fazem quando dirigem preces a essas mesmas imagens de “santos”, crêem que eles vão responder, invocam seus nomes, atribuem poderes sobrenaturais e milagrosos a eles, cantam louvores a eles, e carregam suas imagens nas ruas em procissão por vários metros ou até mesmo QUILÔMETROS??? Não seria esse tratamento o mesmo que um pagão qualquer daria a um deus??? Sejam honestos católicos por favor!

E uma vez que dizer que uma criatura pode realizar algo que só DEUS pode fazer, isso viola Shemot - Êxodo 20:3: “Não terás outros deuses diante de mim.”

E Yeshayahú - Isaías arremata: “Congregai-vos, e vinde; chegai-vos juntos, os que escapastes das nações; nada sabem os que conduzem em procissão as suas imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar.” Isaías 45:20

Logo, a ICR também está em desarmonia com a questão das imagens como objeto de culto, repudiadas pelo judaísmo.

 - Sobre a questão Fé e obras

De acordo com o Catecismo:

“O discípulo de Cristo não deve apenas guardar a fé e nela viver, mas também professá-la, testemunhá-la com firmeza e difundi-la: "Todos devem estar prontos a confessar Cristo perante os homens e segui-lo no caminho da Cruz, entre perseguições que nunca faltam à Igreja. O serviço e o testemunho da fé são requisitos da salvação: "Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus" (Mt 10,32-33). (Catecismo da Igreja Católica Parágrafo 1816)

O conceito de fé e obras aqui está perfeitamente correto, mas é anulado pelo próprio catecismo aqui:

“Por este senso da fé, excitado e sustentado pelo Espírito da verdade, o Povo de Deus, (((sob a direção do sagrado Magistério))), (...) adere indefectivelmente à fé "uma vez para sempre transmitida aos santos"; e, com reto juízo, penetra-a mais profundamente e na sua vida a coloca mais perfeitamente em obra". (Catecismo da Igreja Católica Parágrafo 93)

Ou seja, unir a fé com as obras não se limita somente a confessar o nome de Jesus - Rm 10:9,10 - e a comunhão dos santos - 1 Jo 1:1-4 -, comprometendo-se em dar bom testemunho - Mt 5:15,16 -, e participando dos sacramentos, a saber o batismo - Mc 16:16 - e a eucaristia - 1 Co 11:23-34 -, de acordo com o catecismo o fiel católico deve subordinar-se à instituição, “sob a direção do sagrado Magistério”, ou seja, por mais sutil que pareça, a exigência é de obediência incondicional ao magistério católico romano, ou seja a fé é confessional, mas não é livre.

Entretanto o conceito de viver pela fé não é algo exclusivo apenas dos tempos do Novo Testamento; ainda no tempo dos profetas, esse conceito JÁ EXISTIA, e quem nos comprova isso é o profeta Hhavaq’qúq - Habacuque: “Então o Senhor me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna-a bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo. Porque a visão é ainda para o tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não enganará; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará. Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá.” Habacuque 2:2-4

E isso é confirmado em Hebreus 10:37,38: “Porque ainda um pouquinho de tempo, E o que há de vir virá, e não tardará. Mas o justo viverá pela fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.” Hebreus 10:37-38

Um exemplo de fé e obras no Antigo Testamento é dado pelo próprio Deus no sepher dibrê hayyamîm (livro dos fatos cotidianos, anais), ou simplesmente, O Livro das Crônicas, mais precisamente o Segundo Livro: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” 2 Crônicas 7:14

Mas há outro texto bíblico que testifica o que Tiago 2:14-26 diz e ele está em Malakhi - Malaquias 1:6-14:
“O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: Em que nós temos desprezado o teu nome? Ofereceis sobre o meu altar pão imundo, e dizeis: Em que te havemos profanado? Nisto que dizeis: A mesa do Senhor é desprezível. Porque, quando ofereceis animal cego para o sacrifício, isso não é mau? E quando ofereceis o coxo ou enfermo, isso não é mau? Ora apresenta-o ao teu governador; porventura terá ele agrado em ti? ou aceitará ele a tua pessoa? diz o Senhor dos Exércitos. Agora, pois, eu suplico, pedi a Deus, que ele seja misericordioso conosco; isto veio das vossas mãos; aceitará ele a vossa pessoa? diz o Senhor dos Exércitos. Quem há também entre vós que feche as portas por nada, e não acenda debalde o fogo do meu altar? Eu não tenho prazer em vós, diz o Senhor dos Exércitos, nem aceitarei oferta da vossa mão.” Malaquias 1:6-10

Se chamar pelo nome quer dizer “ser conhecido pelo Deus que segue”, isso é, ter FÉ nesse Deus, reconhecer sua soberania, e saber que agradá-lO está muito além de liturgias mecânicas travestidas de piedade religiosa, pois Deus sabe a intenção do coração dos homens - 1 Sh’muel - 1 Samuel 16:7. Por isso ele disse:
“Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.” Hôšēă - Oséias 6:6

Ou seja, a fé é quem origina as obras, não o contrário! Nós obedecemos a Deus por crermos nEle, não o inverso, pois ninguém pode chegar a Cristo se o Pai não consentir - Jo 6:37 - E com isso chegamos à conclusão que alguns dos judeus antigos criam em algo que nós protestantes chamamos de: SOLA FIDE.

 - Sobre a questão das escrituras

Os antigos judeus sempre tiveram um zelo muito grande pelos oráculos revelados por Deus a Israel, e registrados por escrito, e esse zelo não é menor nos dias atuais, mas devemos nos ater aos judeus daquela época - tanto dos judeus antes, durante e depois de Cristo pouco è frente -, pois para fazermos uma comparação com a ICR, devemos lançar mão de uma época mais aproximada de seu surgimento, ou seja, antes do século XI - logo os prezados leitores entenderão o porquê de eu ter afirmado essa data.

Não devemos esquecer que o judaísmo não estabelece doutrinas ou credos, mas é uma religião que segue a Torá, interpretada como a orientação de Deus através das escrituras.

Todos sabemos que antes do Novo Testamento surgir, a base de pregação dos Apóstolos era o Antigo Testamento, aliás, ele nos dá as seguintes provas:

1- Que Deus existe - Salmo 19:1

2- Que esse Deus é o Deus verdadeiro - Isaías 44:8

3- Que esse Deus é único - Deuteronômio 6:4

4- Que ele não aceita que se preste culto a outro além dEle - Deuteronômio 6:16, 10:20

5- Que ele deixou mandamentos a serem seguidos, foram ESCRITOS e são passados de geração a geração - Êxodo 20:1-17, 31:18 / Deuteronômio 28:1-14 / Salmo 128

6- Que ele fala do Mashiach - Messias, o Cristo, em toda a sua extensão - Gênesis 3:15 / Deuteronômio 18:15-19 / Isaías cap 53 / Salmo 22, são alguns exemplos

7- Sobre a promessa da salvação dos gentios, por meio de Cristo, e por conseguinte, o surgimento da Igreja - Isaías 49:1-7 / Salmo 18:43, 101:7

Essa foi a base solidíssima usada pelos Apóstolos para pregar às comunidades cristãs na Igreja primitiva, é digno de ressalte que esses homens eram todos judeus, e muitos deles tinham esmero e zelo pelas Escrituras, como Paulo e Gamaliel, doutor da Lei, seu Discipulador - 2 Timóteo 3:14-17 / Atos 4:34.

Um suposto relator chamado Juvenal demonstra-nos essa visão dizendo que,

“acostumados a desdenhar das leis de Roma, eles [os Judeus] não estudam, não respeitam, não temem nada a não ser [[[o direito judaico transmitido por Moisés {{{através de um livro misterioso}}}]]]”
(Sat. XIV, 100-105).

Ou seja, fora da Lei - Encontrada na Escritura -, não existe verdade!

Os judeus mais jovens são instruídos pelos mestres rabinos, nas Santas Escrituras Hebraicas, a obedecer os mandamentos de Deus, dados por Ele e que deles não se desviem, nem para a esquerda, nem para a direita - Josué 1:7,8 / Provérbios Cap 4 -, e uma vez que esse mandamento é verdadeiro e comprovado em toda a extensão da Escritura Hebraica, só se pode chegar à seguinte conclusão:

Que os judeus, mesmo sem o saberem, já adotavam um grande e importante princípio protestante, que tem por nome: SOLA SCRIPTURA! Incrível, não acham?

Mas o catolicismo romano não segue esse princípio, já praticado pelos judeus BEM ANTES do Cristianismo surgir, eles tem uma regulas fide - regra de fé - avulsa à Escritura, conhecida como “tradição oral”, conforme diz o Catecismo Católico:
“Dai resulta que a Igreja (Católica), à qual estão confiadas a transmissão e a interpretação da Revelação, (((não deriva a sua certeza a respeito de tudo o que foi revelado somente da Sagrada Escritura))). Por isso, ambas devem ser aceitas e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência".
A Tradição da qual aqui falamos é a que vem dos apóstolos e transmite o que estes receberam do ensinamento e do exemplo de Jesus e o que receberam por meio do Espírito Santo Com efeito, a primeira geração de cristãos ainda não dispunha de um Novo Testamento escrito, e o próprio Novo Testamento atesta o processo da Tradição viva.” (Catecismo da Igreja Católica - Parágrafos 82 e 83)

Ou seja, como é sabido de quem estuda apologética, a ICR não repousa seu alicerce de fé, religião, e doutrina, somente na Escritura, mas também na “tradição”, e se duvidar mais nela que na Bíblia, e com isso justificam seus ensinos extra - e anti - bíblicos, mas existe um pequeno problema: Se esses ensinos não são registrados POR ESCRITO, não pode ser comprovada a sua veracidade, logo a tradição oral é absolutamente indigna de confiança!

Nós vemos uma patente atitude exclusivista quando o catecismo afirma que é “...a Igreja (Católica), à qual estão confiadas a transmissão e a interpretação da Revelação”, pois não podemos esquecer que o que vale na catolicismo romano é a INSTITUIÇÃO, não o POVO. Os apologistas católicos muitas vezes apelam para a patrística, atestando que eles defendiam a tradição, mas quando questionados sobre QUE TRADIÇÃO ERA ESSA, eles ficam sem resposta. Além disso como é sabido de quem estuda patrística, por diversas vezes os mesmos pais da igreja se contradizem em vários pontos doutrinários, provando que a tradição NUNCA foi a mesma desde o tempo dos apóstolos, não foi ensinada por eles, tampouco permaneceu inalterada, haja vista que à medida que os séculos transcorriam, novos ensinos eram inseridos e anexados à liturgia da Igreja. Eis alguns exemplos:

Doutrina Contra A Favor
Batismo Infantil Tertuliano Orígenes

Imaculada Concepção

de Maria

Santo Anselmo, São Bernardo,

Papa Leão I, Papa Gregório Magno,

Papa Gelásio I, Papa Inocêncio III

Irineu, Santo Efrém

Virgindade Perpétua

de Maria

Tertuliano, Irineu, Eusébio

Jerônimo, Orígenes, Epifânio

Pedro a Pedra

da Igreja* em

Mateus 16.18

 Santo Agostinho

Dos 77 pais que comentaram

este verso apenas 17 opinaram

que se refere a Pedro.

Nota*:  Agostinho era contra a interpretação sustentada hoje pelo catolicismo - Vide Retractações cap. 21. Mas curiosamente, os pais da Igreja coincidiam NUM SÓ PONTO, a SUFICIÊNCIA DA ESCRITURA, como demonstrarei em alguns exemplos:

Justino Mártir
“Se, senhores, (((não fossem ditas pelas Escrituras que já citei,))) que Sua forma era sem glória, que por Sua morte o rico sofreria a morte, que pelas Suas pisaduras nós devemos ser curados, e que ele foi levado como uma ovelha ao matadouro, e se eu não tivesse explicado que haveria dois adventos daquele que foi ferido por vocês, quando vocês conhecerão Aquele a quem transpassaram e suas tribos se lamentarão, então considere o que eu disse como (((duvidoso e suspeito.))) Mas foi por meio (((dos conteúdos das Escrituras))), estimada santa e profética entre vós, que eu tento provar tudo o que eu tenho apresentado, na esperança de que algum de vocês possa ser encontrado para ser parte do remanescente, que foi deixado pela graça do Senhor dos Exércitos, para a salvação eterna.” (Diálogo com Trifão, Cap.32)
Basílio de Cesareia (329 – 379 d.C)

"Como você usufrui das Escrituras, não necessita nem de minha ajuda, nem da de ninguém para ajudá-lo a compreender o seu dever. Você tem o conselho todo-suficiente e orientação do Espírito Santo para levá-lo ao que é certo"(Epístola 283)

“Mas, esta forma de dar glória nos é recusada, por não constar das Escrituras” (Tratado sobre o Espírito Santo. Cap 67)

“Rejeitar alguma coisa que se encontra nas Escrituras, ou receber algumas coisas que não estão escritas, é um sinal evidente de infidelidade, é um ato de orgulho... o fiel deve crer com plenitude de espírito em todas as coisas que estão nas Escrituras sem tirar ou acrescentar nada” (Basílio, Lib. de Fid. -- regul. moral. reg. 80; citado por Luigi Desanctis em La tradizione, terceira ed. Firenze 1868, pag. 19)

“Nisso eles não estão longe da verdade, pois o faço afirmar. Sua queixa é que o costume deles não aceita isso, (((e que a Escritura não concorda))). Qual é a minha resposta? Eu não considero justo que o costume que eles têm entre eles deva ser considerado como uma lei ao Estado de ortodoxia. Se o costume é para ser tomado como prova do que é certo, então é certamente competente eu apresentar para o meu lado o costume que nós temos aqui. Se eles rejeitarem isto, nós claramente não somos obrigados a segui-los. Portanto, (((Deus inspirou a Escritura para decidir entre nós, e em qualquer lado ser encontradas doutrinas [[[em harmonia com a Palavra de Deus]]]))), para ver em favor de que lado será o voto da verdade” (Epístolas, 189:3)

Ambrósio de Milão (340 – 397 d.C)
“Quem ousará falar (((quando a Escritura cala)))? Nós nada devemos acrescentar à ordem de Deus; se vós acrescentais ou tirais alguma coisa (((sois réus de prevaricação)))” (Ambrósio, Lib. II de vocat. Gent. cap. 3 et lib. de parad. cap. 2; citado por Luigi Desanctis in op. cit., pag. 19)

“Eis o conteúdo (((da Escritura divina))). Deveríamos audaciosamente ultrapassar os limites (postos) pelos apóstolos? Acaso somos mais prudentes do que os apóstolos?” (Explicação do Símbolo, Cap.3)

“Com efeito, tens no livro do Apocalipse de João, livro que está no Cânon e que provê um grande fundamento para a fé, pois relembra aí com clareza que nosso Senhor Jesus Cristo é onipotente, embora também isso se encontre em outros lugares, tens nesse livro: “Se alguém acrescentar ou tirar alguma coisa, sofrerá o julgamento e o castigo” (cf Ap. 22,18-19). Se nada pode ser tirado ou acrescentado aos escritos de um só apóstolo, como poderíamos mutilar o símbolo que recebemos como tendo sido composto e transmitido pelos apóstolos? Nada devemos tirar e nada acrescentar!” (Explicação do Símbolo, Cap.7)

“Como é que podemos adotar aquelas coisas que não encontramos nas Sagradas Escrituras?” (Sobre os deveres do Clero, 23)
Jerônimo (347 – 420 d.C)
“Se vós quereis clarificar as coisas em dúvida, ide à lei e ao testemunho da Escritura; fora dali estais na noite do erro. Nós admitimos tudo o que está escrito, e rejeitamos tudo o que não está. As coisas que se inventam sob o nome de tradição apostólica sem a autoridade da Escritura são feridas pela espada de Deus” (Jerónimo, In Isaiam, VII; In Agg., I; citado por Roberto Nisbet in op. cit., pag. 28)

“Eu encontrei um véu suspenso nas portas desta mesma igreja, o qual estava colorido e pintado, ele tinha uma imagem, a imagem de Cristo pode ser ou de algum santo; eu não recordo mais quem ela representava. Eu pois tendo visto este sacrilégio; que numa igreja de Cristo, contra a autoridade das Escrituras, a imagem de um homem estava suspensa, lacerei aquele véu” (Jerome, Lettres, Paris 1951, pag. 171)
João Crisóstomo (349-407 d.C)
“Grande é o lucro das divinas Escrituras, e todo-suficiente é a ajuda que vem delas. E Paulo declarou isso quando ele disse: ‘Tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança (Rm 15:4)’" (Homilias sobre o Evangelho de acordo João, 37)

“Chega um pagão e diz: “Eu gostaria de me tornar um cristão, mas eu não sei em quem participar: há muito luta e facção entre vocês, muita confusão; qual a doutrina que eu devo escolher”? Como vamos responder-lhe? “Cada um de vocês” (diz ele) “afirma: ‘Eu falo a verdade’”. Sem dúvida: este é o nosso dever. Porque, se nós lhe disséssemos para ser convencido (((por argumentos))), você pode muito bem estar perplexo; mas, se você acredita (((nas Escrituras))), e estas são simples e verdadeiras, a decisão é fácil para você. (((Se há qualquer acordo com as Escrituras))), ele é um cristão, mas (((se há qualquer luta contra elas))), ele está longe de ser a regra” (Homilia sobre os Atos dos Apóstolos, 33)
Agostinho de Hipona (354 – 430 d.C)
“Ainda que um anjo do céu vos anuncie outro evangelho (((que vá além do você recebeu na [[[Escritura evangélica]]]))), seja anátema” (Answer to Petilian the Donatist III, 6)

“Mas ninguém pode deixar de estar ciente de (((que o cânon sagrado da Escritura))), tanto do Antigo como do Novo Testamento, está confinado dentro dos seus limites, e que está tão absolutamente em uma posição superior a todas as cartas posteriores dos bispos” (Against the Donatists, II, 4)

"Persuadiste-me de que não eram de repreender os que se apoiam na autoridade desses livros que Tu deste a tantos povos, mas antes os que neles não crêem... Porque nessa divina origem e nessa autoridade (((me pareceu que devia eu crer)))... Por isso, sendo eu fraco e incapaz de encontrar a verdade só com as forças da minha razão, compreendi que devia apoiar-me (((na autoridade das Escrituras))); e que Tu não poderias dar para todos os povos semelhante autoridade se não quisesses que por ela te pudéssemos buscar e encontrar..." (Confissões - VI, 5: 2-3)

“Aqui, alguém talvez pergunte se nossos autores sacros, cujos escritos, inspirados por Deus, constituem para nós um cânon da mais salutar autoridade, se eles devem ser chamados somente sábios ou ainda eloquentes” (A Doutrina Cristã, Livro IV – Sobre a maneira de ensinar a doutrina, Cap.9)

“Ora, a fé cambaleará se a autoridade das Escrituras vacilar. E, cambaleando a fé, a caridade, por sua vez, enfraquer-se-á. Pois diminuir a fé é necessariamente é diminuir também a caridade.” (A Doutrina Cristã – Princípios Básicos de Exegese, Cap.41)

“Não faltam obras eclesiásticas – sem contar as Escrituras canônicas, salutarmente colocadas no ápice da autoridade – por cuja leitura um homem bem dotado pode penetrar, além de seu conteúdo, no estilo das mesmas”(A Doutrina Cristã, Livro IV – Sobre a maneira de ensinar a doutrina, Cap.4)
 Cirilo de Jerusalém
“Com respeito aos mistérios divinos e salvadores da fé, nenhuma doutrina, mesmo trivial, pode ser ensinada sem o apoio das Escrituras divinas, pois a nossa fé salvadora deriva a sua força, não de raciocínios caprichosos, mas daquilo que pode ser provado a partir da Bíblia.” (Cirilo, Das Divinas Escrituras)
Cirilo de Alexandria (375- 444 d.C)
“Por isso, a Escritura inspirada é abundantemente suficiente, até mesmo para que aqueles que são sábios e possuidores de uma compreensão abundante e instruídos em todas as coisas” (Contra Julianum, VII)

Aí grita alguém no fundão e pergunta: “Mas alguns deles não defendiam os dogmas católicos que não estão na Bíblia?”

Sobre isso eu respondo que:

O erro que os pais cometeram foi INTERPRETATIVO, não se pode atribuir o erro à Escritura, visto que sua mensagem permaneceu inalterada através dos séculos, portanto, o erro é HUMANO, não escriturístico. Um exemplo disso pode ser constatado entre os próprios judeus, visto que existiam quatro agremiações judaicas da época: Os essênios, os zelotes, os fariseus, e os saduceus.

Os essênios

Oriundo do hebraico Issi'im - constituíam um grupo que teve existência desde mais ou menos o ano 150 a.C. até o ano 70 d.C. Estavam relacionados com outros grupos religioso-políticos, como os saduceus.

O nome essênio provém do termo sírio asaya, aramaico essaya ou essenoí, todos com o significado de médico, passa pelo termo orum do grego (grego therapeutés), e, finalmente, por esseni dolatim. Também se aceita a forma esseniano.
Conhecidos também como os assidim ou assideus - do grego asidaioi = devoto -, eram extremamente religiosos e zelosos pela Lei, aliados aos hasmoneus - membros da dinastia Hasmoneia, de Hircano I, que lutaram ao lado dos essênios contra a helenização judaica da parte dos romanos, mas posteriormente romperam laços com os essênios, por questões político-religiosas.
O Essenismo foi melhor revelado na história oficial, pela descoberta dos famosos "Manuscritos do Mar Morto", que são uma coleção de centenas de textos e fragmentos de texto encontrados em cavernas de Qumran. Mesmo após décadas de trabalho e controvérsias, a tradução integral dos manuscritos do mar Morto foi completada em 2002.
Eram chamados de nazarenos por causa do voto nazarita que faziam, o que nos leva a concluir que Jesus Cristo, segundo alguns historiadores afirmam, estudou durante sua infância e adolescência na escola judaica dos essênios, explicando assim uma das definições bíblicas que fala a seu respeito:

“E ele será chamado Nazareno.” - Mateus 2:23

Os Zelotes

Esse grupo defendia a guerra santa - Jihad - e pretendiam alcançar a libertação da Palestina através da violência. A luta deles visava combater os impostos que esmagavam o povo, a idolatria do Imperador romano que exigia ser adorado como um Deus, e a má distribuição da terra. A terra, na opinião do movimento, era propriedade de Javé e os romanos não tinham o direito de ocupá-la e exigir imposto dos camponeses.
Apesar de lutar pela justiça, os zelotes também tinham um forte preconceito em relação aos pobres. Como os fariseus e os saduceus, achavam que os pobres não tinham condições de seguir a Lei e que não eram úteis na luta de libertação. Os saduceus eram os "ritualistas", os fariseus os "legalistas" e os zelotes os "revolucionários". A Bíblia nos mostra que o apóstolo Simão Pedro era zelote.

Os Fariseus

Esta palavra vem da raiz hebraica “parash”que basicamente quer dizer "separar", "afastar". Assim, o nome prushim ou perushim é normalmente interpretado como "aqueles que se separaram" do resto da população comum para se consagrar ao estudo da Torá e das suas tradições. Todavia, sua separação não envolvia um ascetismo, já que julgavam ser importante o ensino à população das escrituras e das tradições dos pais.
Opositores dos saduceus, criam numa Lei Oral - o Talmud - , em conjunto com a Lei escrita, e foram os criadores da instituição da sinagoga. Com a destruição de Jerusalém em 70 d.C. e a queda do poder dos saduceus, cresceu sua influência dentro da comunidade judaica e se tornaram os precursores do judaísmo rabínico. A palavra Fariseu tem o significado de "separados", " a verdadeira comunidade de Israel", "santos".
Sua oposição ferrenha ao Cristianismo rendeu-lhes através dos tempos uma figura de fanáticos e hipócritas que apenas manipulam as leis para seu interesse. Esse comportamento deu origem à ofensa "fariseu", comumente dado às pessoas dentro e fora do Cristianismo, que são julgados como religiosos aparentes.

Os Saduceus

A palavra vem do hebraico Ṣĕdûqîm bnê Sadôq, sadoquitas, em grego: Saddoukaios - é a designação da segunda escola filosófica dos judeus, ao lado dos fariseus.

Também para esta seita ou partido é difícil determinar a origem. Sabemos que existiu nos últimos dois séculos do Segundo Templo, em completa discórdia com os fariseus. O nome parece proceder de Zadoque, hierarca da família sacerdotal dos filhos de Zadoque, que segundo o programa ideal da constituição de Ezequiel devia ser a única família a exercer o sacerdócio na nova Judeia. De modo que, dizer saduceus era como dizer "pertencentes ao partido da estirpe sacerdotal dominante".

Diferiam dos fariseus por não aceitarem a tradição oral. Na realidade, parece que a controvérsia entre eles foi uma continuação dessa hostilidade que havia começado no templo dos macabeus, entre os helenizantes e os ortodoxos. Com efeito, os saduceus, pertencendo à classe dominadora, tendo a miudo contato com ambientes helenizados, estavam inclinados a algumas modificações ou helenizações.

O conflito entre estes dois partidos foi o desastre dos últimos anos da Jerusalém judia.
Suas doutrinas são quase desconhecidas, não havendo ficado nada de seus escritos. A Bíblia afirma que eles não criam na ressurreição, tendo até tentado enlaçar Jesus com uma pergunta ardilosa sobre esse conceito. Com muita probabilidade, ainda que rechaçando a tradição farisaica, possuiram uma doutrina relativa à interpretação e à aplicação da lei bíblica. O único que nos oferece alguns dados sobre suas doutrinas é Flávio Josefo que, por ser fariseu e por haver escrito para o público greco-romano, alguns não lhe atribuem muita confiança.

Mas quando analisamos cada um desses grupos, e os colocamos em paralelo com as Escrituras Hebraicas, vemos algumas incongruências:

Os fariseus por exemplo, eram homens intelectualmente cultos, e exímios conhecedores da Lei, que criam em anjos e demônios, e na realidade espiritual pós mundo físico, mas assim como os saduceus e os zelotes, faziam distinção de pessoas em relação a classe social - os mais pobres -, achando que os mesmos eram incapazes de seguir as ordenanças da Lei Mosaica, que Deus deu a TODOS os hebreus, sem diferença de classe social, ou status político e religioso - Vaykra - Levítico 19:34 -, tendo um forte preconceito em relação a eles, além de serem machistas, conceito dominante na sociedade judaica da época.

No episódio de João 9:13-34 temos um exemplo disso, quando o cego de nascença que fora curado por Jesus é levado à presença dos fariseus, e os mesmos o rebaixaram dizendo que ele era discípulo de Cristo não de Moisés, pelo fato dele crer no Messias já predito e eles não, chegando ao ponto de considerá-lo um pecador indigno de permanecer na Sinagoga, violando Vaykra - Levítico 19:18 que diz: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo, mas amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Eu sou YHWH.” Ou seja, conhecer a Lei e não praticar o amor ao próximo, não passa de religiosidade, portanto os fariseus foram reprovados nesse ponto.

Os saduceus, como dito acima, não criam na ressurreição, ou seja, que aquele que passa a vida em fidelidade a Deus e a seus mandamentos tem uma recompensa no porvir, isto é, eles não acreditam na vida após a morte, que exista uma realidade espiritual por trás do mudo físico; morreu, só resta o vazio, é o que chamamos na teologia de (((aniquilacionismo))). Eu mesmo já topei com um judeu com essa linha de pensamento tempos atrás. E acreditem, criticar esse ponto de vista deles é como declarar guerra! Na verdade o radicalismo extremo de alguns judeus contemporâneos é herdado dos seus ancestrais de milênios atrás.

No entanto, quando vemos o ponto de vista sadoquista em contraste com o que diz a Escritura, percebemos o quão sem fundamento é essa cosmovisão:

B’reshit - Gênesis 18; 1-3: “Depois apareceu-lhe o Senhor nos carvalhais de Manre, estando ele assentado à porta da tenda, no calor do dia. E levantou os seus olhos e viu três varões, que estavam em pé junto a ele. E vendo-os correu da porta da tenda a seu encontro e prostrou-se em terra, E disse: Meu Senhor, se agora achei graça aos teus olhos, rogo-te que não passes do teu servo.”

Yeshayahú - Isaías 6:1-8 “No ano que morreu o Rei Uzias, eu vi YHWH assentado num alto e sublime trono, a aba do seu manto enchia o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam os pés, com duas cobriam o rosto, e com duas voavam. E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, santo, santo, é YHWH Sabaoti (Senhor dos Exércitos); Sua glória enche toda a terra. O clamor dos serafins fez abalar o lugar onde estavam, e a casa se encheu de fumaça. Então exclamei: ’Ai de mim que vou perecer! Pois sou um homem de lábios impuros e convivo com homens com lábios impuros. E os meus olhos viram o Rei, YHWH Sabaoti! Então um dos serafins voou até mim com uma brasa que tirara do altar com uma tenaz,
E tocou com ela os meus lábios dizendo: Eis que isto toucou teus lábios, retirando tua iniqüidade, e purificando o teu pecado. Então ouvi a voz do Eterno, que dizia: ‘Que hei de enviar, e que irá por nós?’ então respondi: ‘eis-me aqui, envia-me’.”

Vaykra - Levítico 17:7: “E nunca mais oferecerão sacrifícios aos demônios, com os quais se prostituem; isso lhes será por estatuto perpétuo em suas gerações.”

Não é necessário ser um mestre judeu pra dizer que se existem anjos, existem demônios, se existe bem, existe mal, e se existe céu, existe inferno e portanto uma dimensão espiritual onde Deus está. Logo o ponto de vista sadoquista está equivocado nesse sentido. E Cristo ainda dá uma chamada daquelas neles em Mateus 22.29-33: “Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu. E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos. E, as turbas, ouvindo isto, ficaram maravilhadas da sua doutrina.”

Vejam que Jesus censura duramente os saduceus pelo seu erro de interpretação DAS ESCRITURAS, portanto, a falha foi HUMANA, não da Escritura Hebraica. Na verdade, é exatamente por causa de erros de interpretações, ou de interpretações PARTICULARES - 2 Pe 1:20 - que o caos religioso está instaurado, e muitas sitas existem hoje - Testemunhas De Jeová, Mormonismo, Teosofia, Espiritismo, e claro, o Catolicismo Romano, são só alguns exemplos. Quando Jesus se refere a VIVOS, ele se refere à uma vida ESPIRITUAL, que nenhum crente fiel nega que os heróis da fé dos tempos antigos está vivendo, portanto, SIM, EXISTE RESSURREIÇÃO.

Os zelotes como disse lá em cima, eram metidos a valentões, achavam que tudo que se conseguia era na base da briga. É verdade que Israel para conseguir a terra de Canaã, guerreou, com várias nações, e alguém pode até achar isso contraditório quando se tece uma crítica aos zelotes, mas a diferença entre eles e seus ancestrais é que as guerras que eles travaram foram debaixo da direção de Deus, os zelotes queriam fazer tudo com a cara e a coragem, esquecendo o que diz Zekaryâh - Zacarias 4:6: “Não por força nem por violência, (((mas sim pelo meu Espírito,))) diz o Senhor dos Exércitos.”

Por outro lado, os essênios eram os que mais se aproximaram do judaísmo genuíno, longe do legalismo farisaico, do ritualismo dos sadoquistas, e da força bruta dos zelotes, apesar de seus hábitos exóticos. De acordo com os estudiosos, os essênios:

  • ->Vestiam-se sempre de branco;
  • ->Acreditavam em milagres pela mão, milagres físicos e benção com as mãos.
  • ->Realizavam curas com ervas medicinais e aplicação de argila;
  • ->Aboliam a propriedade privada;
  • ->Eram todos vegetarianos;
  • ->Alguns mestres não se casavam, todavia o celibato não era obrigatório;
  • ->Tomavam banho antes das refeições;
  • ->A comida era sujeita a rígidas regras de purificação.
  • ->Eram chamados de nazarenos por causa do voto nazarita.
  • ->Realizavam o ritual do Batismo nas águas aos iniciados, o que leva a crer, e tudo aponta para o fato que João Batista, a voz que clama no deserto - Yeshayahú - Isaías 40:3 -, era essênio, pois essa prática era deles;
  • ->Guardavam o Nome de Deus, dito impronunciável pelos Fariseus e Saduceus, o tetragrama sagrado YHWH (pronunciado como Yah ou Jah na tradição Essênia.)
  • ->Era costume que os nomes de seus membros tivessem o nome de Deus, ex: Obadias = ObadiYah, Jeremias = YarmiYah, João = YahUkhanaan, Jesus ou Josué = YahShua;
  • ->Acreditavam que a Natureza, os seres humanos e todas as coisas vivas eram o verdadeiro Templo de Deus, pois Ele não habitava em lugares feitos pelas mãos dos homens, mas sim as coisas vivas e que as ofertas a Deus eram o partilhar da comida para com os famintos, sejam homens ou animais.
  • ->Rejeitavam as práticas Farisaicas de sacrifício de animais para expiação dos pecados - que com o tempo, se mostraram obsoletas e rejeitadas por Deus - Cf. Malakhi - Malaquias 1:6-10;
  • ->As mulheres eram iguais aos homens na sociedade, podendo inclusive serem Mestres da justiça (acredita-se que Maria, a mãe de Jesus e Maria Madalena foram Mestres da Justiça.)
  • ->Não tinham amos nem escravos. A hierarquia estabelecia-se de acordo com graus de pureza espiritual dos irmãos, os sacerdotes que ocupassem o topo da ordem.

 

Fora o ascetismo rigoroso deles, eles são os que mais se aproximaram do cristianismo, uma vez que não faziam acepção de pessoas - Rm 2:11 -, Eram zelosos pela Escritura - TehUím - Salmos 119:97 - criam em milagres, realizavam o Batismo nas águas, e ainda, os essênios da época de Jesus, quando Cristo ministrava na sinagoga judaica, é dito por alguns estudiosos de história hebraica e neotestamentária que alguns portavam o livro da Lei, e outros anotavam o que Jesus escrevia, para ver se o Messias caía em contradição em algum de seus sermões, ou seja, O MESMO PENSAMENTO DOS CRISTÃOS DE BERÉIA - At 17:11!!!


Alguns católicos ainda tentam um último recurso, apelando para a questão da tradição oral, aceita por ALGUNS JUDEUS, não todos, encontrada no Talmude. Os fariseus por exemplo, criam que não era possível entender a Torah Escrita sem colocá-la em paralelo com a Torah Oral. Esse argumento seria uma grande força em defesa da tradição oral católica, se não fosse um pequeno detalhe:

Jesus REJEITOU essa tradição!!! Senão, vamos às provas:

Mateus 5:13 - E por que vocês transgridem o mandamento de Deus (((por causa da tradição de vocês)))?

Mateus 15:6 - Assim vocês anulam a palavra de Deus (((por causa da tradição de vocês))).

Marcos 7:3 - Assim vocês anulam a palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. E fazem muitas coisas como essa.

Marcos 7:6,7 - Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão me adoram, (((ensinando doutrinas que são preceitos de homens))).

Marcos 7:8 - Vocês negligenciam os mandamentos de Deus (((e se apegam às tradições dos homens))).

Marcos 7:9 - Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, (((a fim de obedecer [[[às suas tradições]]])))!

E a mesma lógica se aplica à tradição católica. Se a tradição oral judaica foi corrompida, então o que impede a tradição oral católica de também ter sido corrompida? Afinal, Paulo diz que, da mesma forma que Deus não poupou os ramos naturais (judeus), também não pouparia os que foram enxertados, o que inclui os próprios romanos (Igreja de Roma) aos quais ele escrevia. Então a tradição católica é tão propícia de ser corrompida com o tempo quanto a judaica que se corrompeu. E tão propícia a ser repreendida por Jesus como Ele rejeitou a dos fariseus.

Entretanto, os mesmos judeus que tinham inúmeras divergências entre si além de se contradizerem em relação a muitas doutrinas, assim como os pais eclesiásticos, convergiam num único ponto: A SUFICIÊNCIA DA ESCRITURA, ENCONTRADA NA LEI JUDAICA.

E é com base nisso que eu vou provar que os antigos Judeus assumiam os Cinco Solas protestantes, NA PRÓPRIA ESCRITURA HEBRAICA, que são:

SOLA SCRIPTUTRA - Yahoshua - Josué 1:7,8 / Meloth - Provérbios Cap 4 / TehUím - Salmo 1:2, e Salmo 119

SOLA FIDE - Hhavaq’qúq - Habacuque - 2:4

SOLA GRATIA - Yeshayahú - Isaías 60:10 / TehUím - Salmos 63:3, 84:11

SOLUS CHRISTUS - B’reshit - Gênesis 3:15 / D’varim - Deuteronômio 18:18,19 / Yeshayahú - Isaías 7:14, 9:6, Cap 53

SOLI DEO GLORIA - TehUím - Salmo 115:1,2 / Yeshayahú - Isaías 42:8

STRIKE, A TORCIDA VAI À LOUCURA!!!!



Portanto, a não ser que os católicos não considerem a Bíblia Hebraica como Escritura, não há como escapar desses fatos. A ICR não pode reclamar o título de “mais antiga” por estar em desarmonia com o monoteísmo judaico, e isso já seria motivo mais que suficiente para considerá-la carta fora do baralho. Mas tem outro quesito que resta, pra acabar com essa farsa romanista, mas isso são cenas do próximo capítulo.


Deus nos abençoe. 


continua na parte 2 (clique aqui)