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Falácias do Catolicismo - Ad Antiquitatem -parte 2

Falácias do Catolicismo - Ad Antiquitatem -parte 2

19-11-2013

 

falácias do catolicismo

 por Tiago Dutra

Paz do senhor a todos. Eis a parte 2 do meu estudo sobre o AD ANTIQUITATEM ou apelo à antiguidade. Uma das falácias mais usadas pelos militantes católicos. E iremos derrubá-la de uma vez. Boa leitura. Vamos começar com:


A questão histórica

Vejamos se ao menos a história favorece o apelo à antiguidade dos defensores da ICR, pois para que a mesma seja dita como “a mais antiga”, ela deve ter sua antiguidade comprovada, tanto pela história, quanto pelos escritos patrísticos, afinal, se a Igreja Católica Romana foi a igreja que Jesus fundou, ela deveria existir desde o inicio, mas... Será que isso é verdade? Vamos descobrir. Basta saber se essa igreja é mesmo tão antiga quanto dizem:

Católicos X Ortodoxos

Todos sabemos que o termo “Católico” vem do grego katholikos - Universal -, isto é, a igreja cristã não faz distinção de tribo língua e nação, - Ap 5:9 ¬- na qual todas as pessoas são chamadas a tomar parte, a igreja de Cristo, nosso Senhor. Em virtude das divisões e heresias que houveram durante os séculos, o termo “católico” acabou se tornando um rótulo, e um diferencial entre romanistas e protestantes. 

Uma das citações favoritas dos católicos é essa, de Inácio de Antioquia: "Onde está Cristo Jesus, está a Igreja Católica." (Inácio aos Erminiotas, 8:2)

Na menção acima, de Inácio, vemos o nome de “Igreja Católica”, mas não de “Igreja Católica ROMANA”. Os romanistas argumentam dizendo que a “Igreja Católica” era na época a mesma coisa que “Igreja Romana” é hoje. Este argumento é absolutamente falho pela simples razão de que os Pais da Igreja citavam inúmeras vezes “Igreja Católica”, mas nunca “Igreja Católica Romana”! Como é que eles iriam se esquecer sempre da “principal”?

Além disso, o próprio Inácio de Antioquia, sucessor direto do apóstolo Pedro, escreve dizendo que a Igreja não foi fundada em Roma, mas em Antioquia:
“Devemos, portanto, provar a nós mesmos que merecemos o nome que recebemos (cristãos). Quem é chamado por outro nome além deste não é de Deus, pois não recebeu a profecia que nos fala a respeito disso: ‘O povo será chamado por um novo nome, pelo qual o Senhor os chamará, e serão um povo santo’. Isto se cumpriu (((primeiramente na Síria))), pois ‘os discípulos eram chamados de cristãos na Antioquia’, quando Paulo e Pedro (((estabeleciam as fundações da Igreja))). Abandonai, pois, a maldade, o passado, as influências viciadas e sereis transformados no novo instrumento da graça. Permanecei em Cristo e o estranho não obterá o domínio sobre vós”  (Inácio aos Magnésios, Versão Longa, Cap.10)

Como comprovamos acima, a igreja conhecida hoje como Ortodoxa surgiu BEM ANTES da igreja de Roma, sendo ela mesma fundada por Pedro e Paulo, onde os Cristãos foram assim chamados pela primeira vez - At 11:26; mas segundo as alegações católicas, eles são CISMÁTICOS, ou seja, os DIVISORES. Mas, se a igreja Ortodoxa surgiu PRIMEIRO, como eles poderiam causar essa divisão??? Sendo assim, é a Igreja de Roma de permanece cismática por todo esse tempo, desde o ano 1054.

Portanto, se a igreja na qual as bases da doutrina cristã foram estabelecidas pela primeira vez fora de Jerusalém era em (((Antioquia))), na SÍRIA, e portanto território ou jurisdição da Igreja ORTODOXA que é e sempre foi a igreja do oriente , os católicos romanos não tem a menor razão para reclamar para Roma, o Vaticano e os papas o título de “cátedra de Pedro” e “sucessores apostólicos”

Além disso, entre católicos e ortodoxos, há uma diferença GRITANTE relacionada a credos e doutrinas, conforme veremos a seguir:

Igreja Católica Romana

Igreja Católica Ortodoxa

O bispo de Roma tem poder pleno,

supremo e universal na Igreja

Não admite a primazia do bispo romano

sobre todos os demais

O papa (bispo de Roma) é infalível

em matéria de fé, discursando em ex cathedra

Não admite a infalibilidade papal
Existência do purgatório Não existe o purgatório
Existência do limbo Não existe o limbo
Existência de indulgências Não admite a existência de indulgências
Dogma da imaculada concepção de Maria

Maria foi concebida em estado de

pecado original

Comunhão aos fieis somente com

o pão (hóstia) na Ceia (eucaristia)

Comunhão com ambos os elementos aos fieis

o pão e o vinho

Existência de imagens de escultura nos templos

Não se permitem imagens de escultura nos templos,

mas somente ícones - Iconografia

Batismo por aspersão Batismo por imersão

Rejeita a canonicidade de 3ª e 4ª Macabeus,

3ª e 4ª Esdras, Oração de Manassés e o Salmo 151

Considera canônicos todos estes

livros rejeitados pelos romanos

Celibato obrigatório dos sacerdotes

Sacerdotes podem optar entre o celibato

ou o matrimônio

Existência de dois juízos (um individual e um geral) Existência de um único juízo universal

Então, como vemos, a Igreja Ortodoxa difere E MUITO da Igreja de Roma, aliás, a Igreja Ortodoxa é muito mais confiável, pois como mostrei acima, além de ter sido fundada BEM ANTES DA ICR, foi fundada PELO PRÓPRIO APÓSTOLO PEDRO, que juntamente com Paulo “...estabeleciam as fundações da Igreja”.

Além disso, a rejeição ortodoxa era patente em relação à supremacia do bispo romano sobre todos os demais, Cipriano de Cartago, por exemplo, se referiu a Estêvão, bispo de Roma, como “amigo de hereges e inimigo dos cristãos” (Epístola 74)

Além disso, é notório que o magistério romano e alguns de seus apologistas distorce descaradamente os fatos históricos, de modo que tudo gire em torno da igreja de Roma; alguns historiadores católicos esperam convencer seus leitores citando apenas o martírio de Pedro e Paulo em Roma, dizendo que lá se encontram “os troféus dos apóstolos”. Nenhum examinador sério de história da Igreja negaria isso, todos sabem que Pedro e Paulo MORRERAM em Roma, mas Pedro NUNCA foi bispo lá! Quando lemos o livro de Atos dos apóstolos e investigamos os fatos históricos a fundo, percebemos o quão desonestos alguns historiadores católicos romanos são.

O livro de Atos

Por exemplo, Pedro é mencionado estando em muitas cidades, tais como: Jerusalém (At 8:1), Samaria (At 8:25), Lida (At 9:32), Cesaréia (At 10:1), Jope (At 10:5), Antioquia (Gl 2;11), etc. Mas sobre Roma, no entanto, não diz NADA. Ora, como pode uma coisa dessas?! Se Pedro fosse o papa da Igreja em Roma, ali certamente deveria ser o lugar disparadamente mais mencionado onde ele esteve! Imagine, nos dias de hoje, um escritor católico escrever um livro enorme sobre a história da Igreja católica e nem falar sobre o papa e muito menos falar da “sede” da Igreja, isso seria absurdo!!!

Mas como pode uma coisa dessas? Bom...... mas pelo menos ainda deve restar alguma “saída” para os católicos, afinal, o nosso papa com certeza deve ter sido nominalmente mencionado por Lucas como o “príncipe dos apóstolos” os recebendo como o representante do corpo dos apóstolos, não é mesmo? Veremos: “Chegando a Jerusalém, foram bem recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros, a quem relataram tudo o que Deus tinha feito por meio deles” (At 15:4). 

Mas essa “Bíblia” não tem jeito mesmo....! Deve ser por isso que proibiram e reprimiram a sua leitura durante tantos séculos (Concílio de Tolossa 1229, Cânon 14:2), para dar lugar à missa em latim (Papa Vitélio, por volta do século VII d.C), o que é claramente muito mais importante.

A ICR insiste em afirmar uma lenda cabeluda e mentirosa de que Pedro foi o primeiro papa, e foi bispo em Roma, mas até onde sabemos, não é o que a história diz; vejamos, de acordo com a História Eclesiástica, quem foram: 

Os três primeiros Bispos Romanos

Para derrubar de vez a argumentação católica, eu quero lançar mão das citações de um homem conhecidíssimo por eles, Eusébio de Cesaréia, autor da aclamada obra cristã, História Eclesiástica, mostrando quem foram os três primeiros bispos romanos, SEM MENCIONAR PEDRO:

[Quem foi o primeiro que presidiu a Igreja de Roma]

1. “Depois do martírio de Paulo e de Pedro, o primeiro a ser eleito para o episcopado da Igreja de Roma foi [[[Lino]]]. Ele é mencionado por Paulo quando escreve de Roma a Timóteo, na despedida ao final da carta” (História Eclesiástica, Livro III, Cap 2, vers. 1 - Editora Novo Século)

[De como o segundo bispo de Roma é Anacleto]

1. “Depois de imperar Vespasiano durante dez anos, sucede-o como imperador seu filho Tito. No segundo ano de seu reinado, Lino, bispo da igreja de Roma, depois de exercer o cargo durante doze anos, [[[transmite-o a Anacleto]]]. Tito, que imperou dois anos e uns poucos meses, foi sucedido por seu irmão Domiciano.” (Idem, Livro III, Cap 13, vers.1)

[De como o terceiro bispo de Roma, depois de Anacleto, é Clemente]

1. “No duodécimo ano do mesmo reinado, [[[Clemente sucede a Anacleto]]], que havia sido bispo da igreja de Roma durante doze anos. O apóstolo, em sua carta aos Filipenses, faz saber a estes que Clemente era colaborador seu, dizendo: Com Clemente também e os demais colaboradores meus, cujos nomes estão no livro da vida.” (Idem, Livro III, Cap 15, vers. 1)

Ou seja, temos a seguinte ordem cronológica:

1 - LINO

2 - ANACLETO

3 - CLEMENTE

A não ser que Eusébio o mais renomado historiador cristão NÃO SAIBA CONTAR ATÉ TRÊS, a sucessão episcopal de Roma É ESSA. Vejamos a opinião de outros historiadores a respeito:

“Pedro só chegou a Roma nos últimos anos da sua vida, e a sua função de bispo não passa de uma lenda. Prova disso é que seu nome não aparece nas listas mais antigas da sucessão episcopal”  (Peter De Rosa, HISTORIADOR, “Vicars of Christ”)

“Com efeito, provavelmente o primeiro bispo romano, em algum sentido significativo, foi Sotero (166-174)” (Paulo Johnson, História do Cristianismo, Editora Imago, 2001, Págs 77,78)

“Não se pode considerar a comunidade Romana como fundação (((nem de Pedro nem de Paulo))), como o quer a tradição referida pela primeira vez por Irirneu.” (Adv Haer. III, 1,1; III, 2,3) “Foi antes fundada antes (((por judeus-cristãos desconhecidos)))” (Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs, edição conjunta Vozes e Paulus, 2002, pág 1076)

Ou seja, ATÉ AS PRÓPRIAS PUBLICAÇÕES CATÓLICAS negam o Bispado Petrino em Roma! Dêem o braço a torcer católicos, vai ser mais fácil pra vocês!

Outros lugares onde Pedro passou

2. “Pedro, segundo parece, pregou (((no Ponto, na Galácia e na Bitínia, na Capadócia e na Ásia))), aos judeus da diáspora; (((por fim chegou a Roma))) e foi crucificado com a cabeça para baixo, como ele mesmo pediu para sofrer.” (História Eclesiástica, Livro III, Cap.1, vers.2)

Ou seja, a não ser que Eusébio tenha mentido, o que acho pouco provável, pois ele viveu numa época muito próxima dos acontecimentos descritos, Pedro (((não exerceu a função de Bispo Romano, pois só chegou a Roma POUCO ANTES DE SEU MARTÍRIO, pelas mãos de Nero.)))

É digno de ressalte que em sua obra o leitor NUNCA o verá dizer que a Igreja possui um Sumo Pontífice terreno, que seria o bispo de Roma, o “papa”. 

Ao contrário, ele diz que o único Sumo Pontífice (=Sumo Sacerdote) de todo o Universo é Jesus Cristo: 

“Além disso, a tradição nos faz saber igualmente que também alguns profetas foram convertidos em Cristos, figuradamente, por meio da unção com o óleo, de forma que todos estes fazem referência ao verdadeiro Cristo, o Verbo divino e celestial, único sumo Sacerdote do universo, único rei de toda a criação e, entre os profetas, único sumo Profeta do Pai”

Convenhamos: Eusébio nunca fala de um Sumo Pontífice terreno, em todas as vezes que fala sobre um Sumo Pontífice aponta para Cristo, e ainda por cima diz que ele (Jesus) é o único Sumo Pontífice de todo o Universo. Será mesmo que ele cria que o bispo de Roma era um Sumo Pontífice? Lógico que não. 

Além disso, ele chama de “papa” o bispo Heraclas, de Antioquia: 

“Logo, depois de dizer algumas coisas sobre todas as heresias, acrescenta: ‘Eu recebi esta regra e este modelo de nosso bem-aventurado papa Heraclas” (Eusébio de Cesareia, HE, Livro V, 7:4.)

Essa é a primeira vez que este título é concedido ao bispo de Alexandria. O bispo de Cartago, Cipriano, também recebia este título pelos presbíteros de Roma, mas o próprio bispo romano ainda tardaria em recebê-lo. Somente muitos séculos mais tarde, quando os bispos de Roma ambiciosos pelo poder temporal e espiritual sobre toda a Igreja quiseram usurpar a autoridade dos demais bispos, é que eles arrogaram para si mesmos o título de “papa” em exclusividade. É por isso que na Igreja Católica atual não se vê nenhum deles chamar algum bispo no Brasil, na África, na Ásia ou em qualquer outro lugar de “papa”, pois este título é conferido exclusivamente ao pontífice romano, como resultado de sua ambição e arrogância.

A suposta “supremacia” da igreja de Roma e do seu Bispo

Muitos católicos incham o peito arrogantemente afirmando que a igreja católica ROMANA foi a ÚNICA IGREJA DE CRISTO, mas sabemos que isso não é verdade, uma vez que ela NÃO FOI FUNDADA PRIMEIRO, nem teve Pedro como seu Bispo, as fontes históricas que eu citei comprovam isso. Agora conferiremos se todas as igrejas era todas sujeitas “a sé romana”, como afirmam os apologistas católicos:

Começaremos citando o Canon VI, do Concílio de Nicéia I:

Cânon VI - “O bispo de Alexandria terá jurisdição sobre o Egito, Líbia e Pentápolis; assim como o bispo Romano sobre o que está sujeito a Roma. Assim, também, o bispo de Antioquia e os outros, sobre o que está sob sua jurisdição. Se alguém foi feito bispo contrariamente ao juízo do Metropolita, não se torne bispo. No caso de ser de acordo com os cânones e com o sufrágio da maioria, se três são contra, a objeção deles não terá força.”

Antes que apareçam alguns engraçadinhos nos acusando de falsificação de documentos e fontes históricas, segue o link de onde retirei essa citação:

http://www.veritatis.com.br/doutrina/documentos-da-igreja/1343-canon-dos-318-bispos-reunidos-no-concilio-de-niceia-i

O Veritatis Splendor é um dois maiores sites de apologética católica do país, então não há como apelarem apara adulteração documental visto que não faz sentido um protestante entrar num site CATÓLICO e pintar o sete e o desenho. 

O Bispo de Roma, Bonifácio VIII, declarou arrogantemente que:

“Além disso, nós declaramos e definimos que é absolutamente necessária para a salvação que toda criatura humana esteja sujeita ao Pontífice Romano.” (Unam Sanctam)

O Padre Álvaro Negromonte afirmou o seguinte sobre o papa e a igreja católica:

“... Um bom católico (((nunca põe em dúvida a autoridade da Igreja))). Antes, procura ser cuidadoso da obediência que lhe deve. Cuidadoso e ufano. Vale a pena obedecer a quem manda (((com a mesma autoridade de Cristo))) e faz leis tão sábias.
Assistidos pelo Espírito Santo, o papa e os bispos têm uma visão que nos falta nos negócios da Igreja. (((As suas ordens devem ser obedecidas e não discutidas))). Quando nossos pontos de vista não coincidirem, (((será por deficiência nossa...)))”  (O Caminho da Vida, página 240, 15ª edição, LIVRARIA JOSÉ OLYMPIO EDITORA).

-> Ou seja, o papa é um ser humano falho, mas contraditoriamente NUNCA FALHA! Você católico romano concorda com isso, de ser uma ovelha muda, que não pensa nem questiona?

A igreja de Roma afirma com todas as letras: “Nós mandamos em tudo”, só falta dizer:

“Por que de Roma, por Roma e para Roma são todas as coisas; glória pois a Roma eternamente, amém.”

O papa Pio X disse na encíclica “Como amar o Papa”, de 18 de Novembro de 1912, dizendo que “não se discute sobre o que ele manda ou exige”, que “não se objeta a ele”, que “não se põem em dúvidas as suas ordens” e que não se pode omitir opiniões que “diferem da opinião do papa”

“É por isso que, quando se ama ao Papa, (((não se fica a discutir sobre o que ele manda ou exige))), a procurar até onde vai o dever rigoroso da obediência, e a marcar o limite desta obrigação. Quando se ama o Papa, (((não se objeta))) que ele não falou muito claramente, como se ele estivesse obrigado a repetir diretamente no ouvido de cada um sua vontade e de exprimi-la não somente de viva voz, mas cada vez por cartas e outros documentos públicos. (((Não se põem em dúvida suas ordens))), sob fácil pretexto, para quem não quer obedecer, de que elas não dimanam diretamente dele, mas dos que o rodeiam! (((Não se limita o campo onde ele pode e deve exercer sua autoridade; [[[não se opõe à autoridade do Papa a de outras pessoas]]], por muito doutas que elas sejam, que diferem da opinião com o Papa))). Por outro parte, seja qual for sua ciência, falta-lhes santidade, pois não poderia haver santidade onde há dissentimento com o Papa"(Papa Pio X, “Como amar o Papa”, Alocução aos Padres da Confraria “A União Apostólica”, de 18 de Novembro de 1912.)

Resumindo tudo, O PAPA, MESMO ESTANDO ERRADO, ELE ESTÁ CERTO. Meus amados, eu confesso que vi muito discurso romanista apelativo, mas igual a ESSE, JAMAIS!!! É uma ofensa à inteligência das pessoas, exigir obediência inquestionável independente do que esteja fazendo o pontífice romano, mas o pior é que ainda tem - me perdoem o termo - TROUXAS que engolem isso!


Mas e quanto aos pais da Igreja? Eles reconheciam a soberania do Bispo Romano?

É o que descobriremos:

Vamos começar pelo homem cujo testemunho é o mais fidedigno dentre todos:

Inácio de Antioquia (35 – 107 d.C)

Um dos primeiros bispos que escreveu sobre a organização eclesiástica da Igreja primitiva foi Inácio, bispo de Antioquia. Ele escreveu pelo menos sete cartas reconhecidas como autênticas pelos historiadores antigos e contemporâneos, inclusive uma aos romanos. Se existia um bispo de Roma exercendo um primado universal sobre todos os demais, certamente ele seria o primeiro a mencionar isso, sem a menor hesitação.

Todavia, não é isso que nós vemos, e conferiremos a seguir:

“Por isto vos peço que estejais dispostos a fazer todas as coisas na concórdia de Deus, sob a presidência do bispo, que ocupa o lugar de Deus, dos presbíteros, que representam o colégio dos apóstolos, e dos diáconos, que são muito caros para mim, aos quais foi confiado o serviço de Jesus Cristo, que antes dos séculos estava junto do Pai e por fim se manifestou” (Inácio aos Magnésios, 6:1.)

“Cuidado, portanto, com essas pessoas. Fazei-o sem vos encher de orgulho, permanecendo inseparáveis de Jesus Cristo Deus, do bispo e dos preceitos dos apóstolos. Aquele que está dentro do santuário é puro, mas aquele que está fora do santuário não é puro; ou seja, aquele que age sem o bispo, sem o presbítero e os diáconos, esse não tem consciência pura” (Inácio aos Tralianos, 7:1.)

“Atendei ao bispo, para que Deus vos atenda. Ofereço minha vida para os que se submetem ao bispo, aos presbíteros e aos diáconos. Possa eu, com eles, ter parte em Deus. Trabalhai uns com os outros e, unidos, combatei, lutai, sofrei, dormi, despertai, como administradores, assessores e servidores de Deus” (Inácio a Policarpo, 6:1)

“Segui todos ao bispo, como Jesus Cristo segue ao Pai, e ao presbitério como aos apóstolos; respeitai os diáconos como à lei de Deus” (Inácio aos Erminiotas, 8:1)

Como conferimos, tal cargo ou função na Igreja - o de “Sumo Pontífice” -, nunca foi crido nem propagado por Inácio, que jamais fez menção a isso, justamente o que seria da maior importância caso realmente existisse! Vale ressaltar que na única vez em que Inácio fez menção a um “bispo de todos”, isto é, de um Sumo Pontífice, não foi para falar do bispo romano, mas de Jesus Cristo: 

“Convém que não abuseis da idade do vosso bispo, mas, pelo poder de Deus Pai, lhe tributeis toda reverência. De fato, eu soube que vossos santos presbíteros não abusaram de sua evidente condição juvenil, mas, como gente sensata em Deus, se submetem a ele, não a ele, mas ao Pai do bispo de todos, Jesus Cristo” (Inácio aos Magnésios, Versão Curta, 3:1.)

Ou seja, Inácio sempre menciona TRÊS FUNÇÕES ECLESIAIS, Às quaias a igreja deve submeter-se, O BISPO - pastor da igreja -, OS PRESBÍTEROS, E OS DIÁCONOS - auxiliares do Bispo no pastoreio da Igreja. Ou seja, nada de sumo pontífice, nada de, nada de cardeal, “vigário de Cristo”, nada de arcebispo, aliás, os dois primeiros eram títulos oriundos do antigo paganismo romano, e os outros dois mera invencionice de Roma. O único BISPO DOS BISPOS, pelo testemunho de Inácio, se chama JESUS CRISTO! Aprendam católicos romanos!

Inácio em sua carta aos romanos cobre a igreja de Roma de lisonjas e elogios, e isso enche o peito dos católicos de orgulho, como veremos a seguir:

“Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja que recebeu a misericórdia, por meio da magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu Filho único; à Igreja amada e iluminada pela bondade daquele que quis todas as coisas que existem, segundo fé e amor dela por Jesus Cristo, nosso Deus; (((à Igreja que preside na região dos romanos))), digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada feliz, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside (((no amor))), que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai; eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, o Filho do Pai” (Inácio aos Romanos, Saudações.)

Não se pode negar que Inácio elogiou bastante a igreja de Roma, mas deve-se notar um detalhe: Inácia se refere a mesma como “à Igreja que preside na região dos romanos”, e preside “no amor”, não À IGREJA QUE PRESIDE SOBRE TODAS! Pois muito mais elogiada por Inácio, outra igreja, que também foi elogiada pelo próprio Cristo, a Igreja de Éfeso:

“Inácio, também chamado Teóforo, (((à Igreja que foi grandemente abençoada com a plenitude de Deus Pai, predestinada antes dos séculos para existir sempre, para uma glória que não passa, inabalavelmente unida, escolhida [[[na paixão verdadeira]]] (ué, mas e a igreja de Roma???), pela vontade do Pai e de Jesus Cristo, nosso Deus. À Igreja digna de ser chamada feliz, que está em Éfeso, na Ásia, as melhores saudações em Jesus Cristo e numa alegria irrepreensível. Acolhi em Deus vosso amadíssimo nome, que adquiristes por justo título natural, segundo a fé e o amor em Cristo Jesus, nosso Salvador. Imitadores que sois de Deus, reanimados pelo sangue de Deus, realizastes até o fim a obra que convém à vossa natureza.” (Inácio aos Efésios, 1:1.)

Ou seja, Inácio encheu a bola dos Efésios!!! E de quebra, depois de tudo isso, Inácio disse que ele encontrava neles (nos efésios) a sua alegria, que eles eram glorificados e santificados: 

“Possa eu encontrar sempre a minha alegria em vós, caso eu seja digno disso. É preciso glorificar de todos os modos a Jesus Cristo, (((que vos glorificou, a fim de que, reunidos na mesma obediência, submetidos ao bispo e ao presbítero, sejais santificados em todas as coisas)))” (Inácio aos Efésios, 2:2.)


Cirilo de Alexandria em seu discurso pronunciado no Concílio de Éfeso disse algo semelhante:
“Salve, (((cidade de Éfeso, mais formosa que os mares, porque em vez dos portos da terra, marcaram encontro em ti os que são portos do céu! Salve, honra desta região asiática semeada por todos os lados de templos, como preciosas jóias, e consagrada, no presente, pelos benditos pés de muitos santos Padres e Patriarcas)))! Com sua vinda, cumularam-te de toda bênção, porque onde eles se congregam, aumenta e multiplica-se a santidade: religiosos fiéis, anjos da terra, afugentam eles, com sua presença, todo satânico poder e toda afeição pagã. Eles, repetimos, confundem toda heresia e são glórias de nossa fé ortodoxa” (Discurso de São Cirilo de Alexandria pronunciado no Concílio de Éfeso)

Os católicos adoram se valer da citação de Irineu (130 – 202 d.C), bispo de Lyon, que escreveu dizendo que a Igreja situada em Roma era a “maior e mais antiga igreja conhecida por todos”, o que em nada significa que ela detinha uma primazia jurisdicional que se estendia a todas as demais igrejas, mas simplesmente que naquele momento que ele escrevia ela era a maior em tamanho, pois ficava na capital do império romano, que dominava o mundo da época, era onde se concentrava o maior número de cristãos àquela altura e “a mais antiga”, porque Jerusalém (que era a primeira e a que inicialmente tinha a maior concentração de convertidos) já havia sido destruída pelos romanos em 70 d.C.

O Próprio Irineu recusava a ideia de um “bispado universal” da parte de Roma, o que pode ser comprovado facilmente através da controvérsia da páscoa, em que Irineu (((rejeita a tradição do bispo romano))). Nas palavras de Samuelle Bacchiocchi: 

“Por um lado, o Bispo Vitor de Roma (189-199 A.D.) liderou o costume do Domingo de Páscoa (isto é, a celebração da festa no domingo geralmente seguinte à data da páscoa judaica) e (((ameaçou [[[excomungar]]] as comunidades cristãs recalcitrantes da província da Ásia que se recusavam a seguir suas instruções))). Por outro lado, Polícrates, bispo de Éfeso e representante das igrejas da Ásia, fortemente advogou a data tradicional da páscoa judaica de 14 de Nisã, comumente chamada ‘Páscoa Quartodecimana’. Polícrates, reivindicando possuir a genuína tradição apostólica transmitida à ele pelos apóstolos Filipe e João, recusou amedrontar-se em sua missão às ameaças de Vitor de Roma”
(BACCHIOCCHI, Samuelle. “Roma e a controvérsia da Páscoa”.) Disponível em: <http:/www.nossasletrasealgomais.com/2011/07/roma-e-controversia-da-pascoa.html

Irineu interveio como mediador da questão, e de acordo com as palavras de Eusébio de Cesareía:
“também restam as expressões que empregaram para pressionar com grande severidade a Vitor. (((Entre eles também estava [[[Irineu]]])))” (História Eclesiástica, Livro V cap. XXIV.)

Hans van Campenhausen definiu a questão nas seguintes palavras: 

“Quando Vítor de Roma aceitou ser persuadido a romper relações eclesiásticas com as igrejas da Ásia Menor, por causa das diferenças duradouras sobre a festa da Páscoa, (((Irineu lhe escreveu uma vigorosa carta na qual [[[condenava]]] esta ação ditatorial))) de uma maneira conveniente” (Hans van Campenhausen, Os Pais da Igreja, pág.24.)

Entretanto, como Victor estava irredutível em sua decisão, houve uma reação da parte dos outros Bispos:

“Ante isto, Victor, que presidia a igreja de Roma, tentou separar em massa da união comum todas as comunidades da Ásia e as igrejas limítrofes, alegando que eram heterodoxas, e publicou uma condenação por meio de cartas proclamando que todos os irmãos daquela região, sem exceção, estavam excomungados. Mas esta medida não agradou a todos os bispos, que por sua parte exortavam-no a ter em conta a paz e a união e a caridade para com o próximo. Conservam-se inclusive as palavras destes, (((que repreendem Victor com bastante energia)))” (História Eclesiástica, Livro V, 24:9.)

Ora, se o Bispo Romano é o ban ban ban, ele NÃO PODERIA SER RESISTIDO, afinal, a soberania de Roma impera sobre tudo e todos não é mesmo? Quanta arrogância igreja de Roma!!!



Tertuliano (160 – 220 d.C)

Considerado o maior teólogo dos primeiros 2 séculos da era cristã, seus escritos são muito utilizados - principalmente por católicos - na edição de artigos e estudos. O que os católicos não sabem - ou fingem que não sabem - é que ele NUNCA RECONHECEU A PRIMAZIA DE UM SUMO PONTÍFICE, a saber, O BISPO ROMANO. Aliás, em sua obra “Contra Práxeas” ele faz duras críticas ao Bispo de Roma, onde o Bispo de Roma faz acusações contra os profetas e a igreja, chamando-o implicitamente de “serviçal do diabo”:

“Pois depois que o (((Bispo de Roma))) concordou com as dádivas proféticas de Montano, Priscila e Maximilla, e em consequência à concordância, tendo concedido sua paz às igrejas da Ásia e Frígia, ele, (((importunadamente urgindo falsas acusações contra os próprios profetas e suas igrejas,))) e insistindo na autoridade dos predecessores dos bispos na sé, o compeliu a revogar as cartas pacíficas que ele tinha enviado, bem como desistir de seu propósito de concordar com as ditas dádivas. (((Assim este Práxeas fez um [[[duplo serviço para o diabo]]] em Roma: ele afugentou a profecia, e introduziu a heresia))); ela afastou o Espírito e crucificou o Pai”(Tertuliano, Contra Práxeas, 1.)

Que bela demonstração de “sujeição” ao Bispo Romano! Parabéns Tertuliano, se fosse nos dias de hoje, você seria considerado um HEREGE!

Circula na internet uma adulteração de um dos Bispos de Cartago na África, Cipriano (200-258), com os seguintes dizeres:

“Atrevem-se estes a dirigir-se à cátedra de Pedro, a esta igreja principal de onde se origina o sacerdócio… esquecidos de que os romanos não podem errar na fé”(Epist. 59,n.14, Hartel, 683)

O que não contam esses adulteradores, entre eles o Rafael Rodrigues do “apologistas católicos” é que NEM DE LONGE UMA AFIRMAÇÃO PREPOTENTE DESSAS PARTE DE CIPRIANO, em sua Epístola 59, e isso os amados poderão conferir aqui: http://www.newadvent.org/fathers/050659.htm

Caso os irmãos possuam o “Google tradutor”, poderão ver na íntegra essa epístola, e constatarão NÃO EXISTE ESSA AFIRMAÇÃO DE CIPRIANO (((EM LUGAR NENHUM)))!!! Pelo contrário.

No Concílio de Cartago que ocorreu no ano 255, ele disse: 

“Pois (((nenhum de nós coloca-se como um bispo de bispos))), nem por terror tirânico alguém força seu colega à obediência obrigatória; visto que cada bispo, de acordo com a permissão de sua liberdade e poder, (((tem seu próprio direito de julgamento, e não pode ser julgado por outro mais do que ele mesmo pode julgar um outro))). Mas esperemos todos o julgamento de nosso Senhor Jesus Cristo, que é o único que tem o poder de nos designar no governo de Sua Igreja, e de nos julgar em nossa conduta nela” (Sétimo Concílio de Cartago, presidido por Cipriano.)

E mais, para desolação dos apologistas romanos, ele chama o Bispo Romano Estêvão, de AMIGO DE HEREGES E INIMIGO DOS CRISTÃOS!!!

“Será que ele dá glória a Deus, que se comunica com o batismo de Marcião? Ele dá glória a Deus, que julga que a remissão dos pecados é concedido entre aqueles que blasfemam contra Deus? Ele dá glória a Deus, que afirma que os filhos nascem para Deus, sem, de um adúltero e uma prostituta? Ele dá glória a Deus, que não é titular da unidade e da verdade que surgem a partir da lei divina, mas mantém heresias contra a Igreja? (((Ele dá glória a Deus, que, [[[um amigo de hereges e um inimigo para os cristãos]]], acha que os sacerdotes de Deus, que apoiam a verdade de Cristo e da unidade da Igreja, devem ser excomungados?))) Se glória é assim dada a Deus, se o medo e a disciplina de Deus é, portanto, preservada por seus adoradores e seus sacerdotes, vamos jogar fora nossos braços, vamos nos entregar ao cativeiro; vamos entregar ao diabo a ordenação do Evangelho, a nomeação de Cristo, a majestade de Deus, deixe-os sacramentos da guerra divina será desatada; deixar os padrões de campo celeste ser traído, e deixa os sucumbir Igreja e deu a hereges, a luz para a escuridão, a fé a perfídia, a esperança ao desespero, motivo para o erro, a imortalidade à morte, o amor ao ódio, a verdade da falsidade, Cristo ao Anticristo!” (Epístola 74, Parágrafo Disponível em http://www.ccel.org/ccel/schaff/anf05.iv.iv.lxxiii.html).

Espera um pouquinho, mas não era a igreja de ROMA “a maior, a mais gloriosa, a mais legal,”, a mais isso, a mais aquilo??? Contem a história direito católicos, esse papo não cola conosco!

Pelo visto, NEM A PATRÍSTICA FAVORECE ROMA!!! Isso seria mais do que suficiente pra jogar toda a teologia e o sistema romano no saco, mas eu quero terminar de destruir a pretensão romana, demonstrando isso com citações de um PAPA, onde o mesmo RENEGA O BISPADO UNIVERSAL POR PARTE DO PONTÍFICE ROMANO; como vocês, um dos poucos papas que eu respeito, o honroso Gregório Magno:

O bispo de Roma Gregório Magno (540 – 604 d.C) é o maior exemplo de um bispo romano que (((rejeitou o título de bispo universal))) por considerá-lo um “título de blasfêmia”, como fica claro em sua epístola a Maurício César:

“Os próprios mandamentos de nosso Senhor Jesus Cristo (((são transtornados pela invenção de uma certa orgulhosa e ostensiva frase))), que seja o piedosíssimo senhor a cortar o lugar da chaga, e prenda o paciente remisso nas cadeias da augusta autoridade. Pois ao atar estas coisas justamente alivias a república; e, enquanto cortas estas coisas, provês o (((alargamento do teu reinado))) (...) O meu companheiro sacerdote João, (((pretende ser chamado [[[bispo universal]]]))). Estou forçado a gritar e dizer: Oh tempos, oh costumes! (Antigos que remetiam ao Evangelho Puro, deixado por Cristo [Mt11:28-30] - acréscimo meu) (...) Os sacerdotes, que deveriam chorar jazendo no chão e em cinzas, (((buscam para si [[[nomes de vanglória]]]))), e se gloriam em [[[títulos novos e profanos]]]))) (...) Quem é este que, (((contra as ordenanças evangélicas))), contra os decretos dos cânones, (((ousa usurpar para si um novo nome?))) O teria se realmente por si mesmo fosse, (((se pudesse ser sem nenhuma diminuição dos outros))) – ele que cobiça ser [[[universal]]] (...) Se então qualquer um nessa Igreja toma para si esse nome, pelo qual se faz a cabeça de todo o bem, (((segue-se que a Igreja universal cai do seu pedestal (o que não permita Deus) quando aquele que é chamado universal cai))). Mas longe dos corações cristãos esteja esse (((nome de blasfêmia))), no qual (((é tirada a honra de [[[todos os sacerdotes]]]))), no momento em que é loucamente arrogado (((para si por um só)))”
(Epístola XX a Maurício César, NPNF 2 12:170-171).)

Os católicos afirmam que Gregório Magno só censurou ao Bispo de Constantinopla, João, por querer usurpar esse título, como de fato o fez, mas o pontífice romano rejeitou esse título INCLUSIVE PARA SI MESMO. Mas como se isso não fosse o bastante, Gregório Magno vai ainda mais além, chamando quem se declara “bispo universal” de PRECURSOR DO ANTICRISTO:

“Agora eu digo com confiança que (((todo aquele))) - isso incluía ele próprio - que chama a si mesmo, ou deseja ser chamado, (((Sacerdote Universal, é em sua exaltação [[[o precursor do Anticristo]]]))), porque ele (((orgulhosamente se coloca acima de todos))). E pelo orgulho (((ele é levado ao erro))), pois como perverso (((deseja aparecer acima de todos os homens))). Por isso, todo aquele que ambiciona ser chamado [[[único sacerdote]]], exalta-se (((acima de todos os outros sacerdotes))).” (Gregório Magno, a Maurícius Augustus.)

Gregório Magno estava estipulando um princípio universal – “todo aquele” se refere a todos os bispos, a qualquer um deles, NÃO SÓ o Bispo de Constantinopla! Ele declara que este título, seja aplicado a quem quer que seja: 

1º É uma exaltação de um precursor do anticristo. 
2º É fruto do orgulho de quem se coloca acima dos demais. 
3º É um perverso que só quer aparecer acima de todos. 
4º Exalta-se acima de todos os outros sacerdotes.

O mais estranho é que alguns católicos afirmam que nesse tempo Gregório Magno era o “bispo dos Bispos”, e portanto, afirmam contraditoriamente que o bispo Romano era PRECURSOR DO ANTICRISTO!!! É mole um negócio desses??? Ele não condena o bispo de Constantinopla por estar se levantando contra Roma; ao contrário, ele o condena por estar se usurpando contra todos os bispos, por tomar este (((título soberbo))). Foi por isso que ele disse: 

“Que dirás tu João a Cristo que é cabeça da Igreja universal no prestar de contas no dia do juízo final? Tu que te esforças de te antepor (((a todos os teus irmãos bispos da Igreja universal))) e que com um (((título soberbo))) queres pôr debaixo dos teus pés o seu nome em comparação do teu? Que vais tu fazendo com isso, (((senão repetir com [[[Satanás]]]: Subirei ao céu e exaltarei o meu trono acima dos astros do céu de Deus?))) Vossa fraternidade quando despreza (os outros bispos) e faz todos os esforços possíveis (((para os subjugar))), não faz senão repetir quanto já disse o velho inimigo (o diabo): Me exaltarei acima das nuvens mais excelsas (...) Possa pois tua Santidade reconhecer (((quanto é grande o teu orgulho))) pretendendo um título que (((nenhum outro homem verdadeiramente pio jamais se arrogou)))” (Gregório Magno, Epistolarum V, Ep. 18, PL 77, pag. 739-740.)

Como os leitores podem ver, Gregório não somente rejeita esse título para si, como compara ao próprio diabo os que pretensiosamente queiram se chamar dessa forma, pois NENHUM HOMEM QUE SE CONSIDERE DE BOA ÍNDOLE ACEITARIA TAL LISONJA. É tão difícil assim de enxergar católicos??? 

Em outro momento, ele diz: 

“Pois se um só, como ele supõe, é o bispo universal, isso implica que (((vocês não são bispos)))” (Gregório Magno, Epístola LXVIII.)

Fica patente a rejeição de Gregório Magno em relação a essa honraria coberta de pretensão, onde o mesmo afirma categoricamente que quem quer ser bispo universal, (((está menosprezando seus companheiros, e negando o seu episcopado))). Mas infelizmente, foi exatamente isso que os romanos fizeram mais tarde, e que, aliás, continuam fazendo até hoje. Eles não seguem as instruções do próprio Gregório, que disse: 

“Vossa Bem-aventurança também foi cuidadoso em declarar (((que não faz agora uso de [[[títulos orgulhosos]]], que brotam {{{de uma raiz de vaidade}}}))), ao escrever a certas pessoas, e se dirige a mim dizendo, “Como tu o ordenaste”. Esta palavra, ordenar, lhe rogo (((que a afaste dos meus ouvidos))), já que sei [[[quem sou eu e quem sois vós]]]. Pois [[[em posição sois meus irmãos]]], em caráter (((meus pais))). Eu (((não ordenei))), então, mas estava desejoso de indicar o que me parecia ser benéfico. Contudo, não acho que Vossa Bem-aventurança tenha estado disposto a recordar perfeitamente esta mesmíssima coisa que trago à sua memória. (((Pois eu disse que nem a mim nem a mais ninguém devia escrever [[[alguma coisa do gênero]]]))); e eis que no prefácio da epístola que me dirigiu a mim (((que me recuso a aceitá-lo))), considerou apropriado (((fazer uso de um apelido orgulhoso, chamando-me [[[Papa Universal]]]))). Mas rogo à sua dulcíssima Santidade (((que não volte a fazer tal coisa))), já que o que é concedido a outro (((para lá do que a razão exige [[[é subtraído de você mesmo]]]))). Pois, quanto a mim, (((não busco ser prosperado por palavras, [[[mas pela minha conduta]]]. {{{Nem considero uma honra aquilo pelo qual sei que meus irmãos perdem a honra deles}}}))). Pois a minha honra (((é a honra da Igreja universal; a minha honra é o sólido vigor dos meus irmãos))). Então sou verdadeiramente honrado quando não é negada a eles a honra devida a todos e cada um. (((Pois se Vossa Santidade [[[me chama a mim Papa Universal]]], nega que seja você o que me chama a mim universalmente))). Mas longe esteja isto de nós. (((Fora com as palavras [[[que inflam a vaidade e ferem a caridade]]]))).” (Gregório Magno, Epístola 8.30, a Eulógio, bispo de Alexandria.)

Por isso que eu disse que Gregório Magno é um dos poucos tido por papa que eu respeito, pois essa postura humilde em nada se assemelha com a cosmovisão que a ICR criou a respeito de seus bispos! Gregório afirma claramente que um bispo não deve se valer de “[[[títulos orgulhosos]]], que brotam {{{de uma raiz de vaidade}}})))”, que não gostaria de ouvir isso de novo, pois reconhecia que não era o que diziam que ele era, e que isso não se repetisse, pois ele se considerava igual a QUALQUER BISPO, e se chamar “Papa Universal” era algo leviano, feito “com as palavras [[[que inflam a vaidade e ferem a caridade”. Esse Bispo merece aplausos!!!

Repararam que em nenhum momento Gregório Magno usa os termos “Católica apostólica ROMANA”? Ele simplesmente referia-se á igreja como “Igreja Universal” referindo-se à catolicidade eclesial, demonstrando que NINGUÉM ERA SUBMETIDO A VONTADE DE ROMA!!! Puxa vida católicos, NEM O PAPA FACILITA PRA VOCÊS!!!

O próprio Concílio de Niceia, provavelmente o mais famoso concílio da história da Igreja antiga, se deu sob a presidência (((do imperador romano Constantino))), e não do bispo de Roma Silvestre. A Definição de Calcedônia, realizada pouco mais de um século depois de Niceia, deixa bem claro que o Concílio de Niceia foi presidido pelo imperador Constantino, e sequer faz qualquer menção ao bispo romano Silvestre. 

Aliás, mesmo quando um bispo de Roma dirigia um concílio, raramente o vemos dirigindo sozinho, exclusivamente, mas ao lado de outros bispos de outras dioceses, que também presidiam, como é o caso do Concílio de Calcedônia: 

“Confirmando também nós, as decisões e as fórmulas de fé do concílio reunido outrora em Éfeso (431) que presidiram [[[Celestino (bispo) dos romanos e Cirilo (bispo) dos alexandrinos]]], de santíssima memória, definimos que tem que resplandecer a exposição da reta e descontaminada fé, feita pelos 315 Santos e bem-aventurados padres reunidos em Nicéia (325), [[[sob o Imperador Constantino]]]”
(Definição de Calcedônia, ano 451.)

E pra terminar, Eusébio de Cesaréia em “História Eclesiástica” menciona vário Bispos em destaque em sua época, mas para espanto e tristeza dos católicos, ele SEQUER CITA O BISPO DE ROMA! Confiram:

[Os bispos ilustres que eram célebres naquele tempo]

1. Entre eles, (((os que mais sobressaíram))) foram: Firmiliano, bispo de Cesaréia da Capadócia; os irmãos Gregório e Atenodoro, pastores das igrejas do Ponto; e depois deles, Heleno, da igreja de Tarso, e Nicomas, da de Iconio. Mas não somente eles, como também Himeneo, da igreja de Jerusalém; e Teotecno, da de Cesaréia, limítrofe desta; e além destes, Máximo, que dirigia também com muito brilho os irmãos de Bostra. E não seria muito difícil enumerar muitíssimos outros reunidos junto com os presbíteros e diáconos pelo mesmo motivo na citada cidade; (((mas de todos, pelo menos os mais destacados eram estes))).

2. Todos pois, reuniram-se para o mesmo, em diferentes e repetidas ocasiões. E em cada reunião levantavam-se razoamentos e perguntas: os partidários do samosatense, tentando ocultar ainda e dissimular o que houvesse de heresia; os outros, de sua parte, pondo todo seu empenho em desnudar e trazer à vista a heresia e a blasfêmia daquele contra Cristo. (Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, Livro VII, 28:1-2.)

Ora, cadê o Bispo Romano??? Onde está a “preeminência” da sé romana??? Onde está o seu bispo, que de tão excelente, NEM FOI CITADO POR EUSÉBIO??? Essa foi a gota d’água católicos...

Logo como podemos conferir, NÃO EXISTE NENHUMA EVIDÊNCIA NEM NA PATRÍSTICA, NEM NOS CONCÍLIOS, NEM NA HISTÓRIA DA IGREJA, NEM NO PRÓPRIO PONTIFCADO ROMANO - na pessoa do honroso Gregório Magno - QUE CONFIRME QUE A IGREJA DE ROMA POSSUÍA A SUPREMACIA ECLESIÁSTICA SOBRE AS DEMAIS, TAMPOUCO O SEU BISPO ERA SOBERANO SOBRE TODOS.

Alguns apologistas católicos vociferam aos quatro ventos que quem se desvia da fé Nicena não deve ser considerado cristão, mas dizem que a soberania de Roma é ACIMA DE TODAS AS OUTRAS, mas o mais engraçado é que O PRÓPRIO CONCÍLIO AFIRMA CATEGORICAMENTE QUE AS IRGEJAS ERAM IN-DE-PEN-DEN-TES!!! Se isso não é se afastar da fé Nicena, O QUE É ENTÃO!?!?!? Às vezes a prepotência de alguns passa dos limites... Aí eu faço que nem o Marcelo Rezende do Cidade alerta:





Eu respondo:

DESONESTIDADE!


E quero terminar meu artigo cumprindo o que prometi, comprovando que a ICR só surgiu como o é hoje para muitos católicos, depois de um fato muito interessante, conhecido como:

O grande cisma do oriente

Lembram que eu prometi que explicaria o por que de só se poder falar em Igreja Católica Romana depois de 1054? Pois bem, aqui vamos nós:

Em rigor, só tem cabimento falar de Catolicismo Romano depois do cisma do Oriente ocorrido em meados do Séc. XI, para distinguir a Igreja de Roma das Igrejas Ortodoxas orientais e outras independentes de Roma. Antes desta data deve falar-se em Igreja de Roma, Igreja do Norte de África, Igreja de Alexandria, Igreja de Jerusalém, Igreja Grega etc. Todas estas igrejas eram independentes, sendo que através de concílios ecumênicos mantinham uma comunhão universal (católica) de igrejas, e o concílio niceno prova isso, como acabo de citei lá em cima. 

Assim, no século IV a jurisdição da Igreja de Roma limitava-se à cidade de Roma e aos seus subúrbios. É claro que umas igrejas eram mais importantes politicamente que outras. A Igreja de Roma, sendo a Igreja da capital do Império e a única "sé apostólica" do Ocidente, tinha uma grande importância religiosa e política. Se o bispo de Roma não subscrevesse as decisões de um concílio ecumênico havia um grande problema político e religioso no Império. 

Ora, este equilíbrio de Igrejas com o tempo foi desfeito à mesma medida que ia sendo desfeito o império, porque as Igrejas do Norte de África foram perdendo força até desapareceram com as invasões Árabes. Com as Igrejas de Alexandria e Jerusalém ocorreu a mesma coisa e praticamente desapareceram após as invasões Árabes. De modo que restaram apenas dois grandes centros da cristandade. A Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla. 

Foi só no ano de 445 que o bispo de Roma Leão Magno conseguiu do imperador, que nessa altura já se tinha mudado para o Oriente, a jurisdição sobre todo o Ocidente. O Império Romano do Ocidente estava em decadência e poucos anos depois acabou por cair. Então a Igreja de Roma ficou livre do Estado imperial e do imperador, e ganha ainda mais força política, porque no meio do caos instalado vai ocupar o poder político e temporal deixado vago pelo Império. O bispo de Roma torna-se assim praticamente como um novo imperador do Ocidente. 

No século VIII, o papado apoiado numa falsificação chamada “Doação de Constantino” cria os Estados pontifícios e recusa a deixar o poder temporal senão até data recente. Enquanto isso a Igreja no Oriente continuava sob a alçada do Império Romano do Oriente e dos imperadores.

Como a Igreja Romana não se retratou dessa empreitada, ela foi prontamente rejeitada pela Igreja Ortodoxa, e em 1054, o Grande Cisma do Oriente aconteceu, dividindo o corpo eclesial em Igreja do oriente e Igreja do Ocidente, onde cada macaco ficou no seu galho, cada um pro seu lado. Portanto, a partir dessa data, e SOMENTE A PARTIR DESSA DATA, é que pode-se PENSAR em falar em IGREJA CATÓLICA ROMANA!!! Agüentem a verdade católicos, a realidade é dura, mas é essa.

Conclusão

Diante dessas provas incontestáveis, não há outro veredicto a ser dado senão esse:

QUE O TÍTULO DE “ÚNICA IGREJA DE CRISTO”, “IGREJA PRIMITIVA”, IGREJA QUE JESUS FUNDOU”, “CÁTEDRA DE PEDRO”, “SEDE DO CRISTIANISMO”, “PORTA-VOZ DO REINO DE DEUS”, e acima de tudo o título de “MAIS ANTIGA”, podem ser juntados num bolo só, jogados num saco de lixo e mandados pra bem longe, pois como vimos, de “MAIS ANTIGA” e “VERDADEIRA”, a ICR não tem NADA!!!! Encarem os fatos católicos, o barco afundou pra vocês.




Paz e graça aos irmãos, que Deus nos abençoe.